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INVESTIGAÇÃO

Marido de policial monitorou soldado antes de crime e teria acompanhado encontro com esposa, aponta investigação

Segundo depoimentos reunidos pela Polícia Civil, Antoneudo Ribeiro teria observado Rafael Sampaio durante um serviço em Messejana meses antes do assassinato; investigação aponta possível motivação passional

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Marido de policial monitorou soldado antes de crime e teria acompanhado encontro com esposa, aponta investigação
Marido de policial teria vigiado soldado meses antes de assassinato, aponta investigação no Ceará. Foto: Reprodução

O marido da policial militar Júlia Natália Girão Gomes, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, teria monitorado o soldado Rafael Sampaio da Silva, de 27 anos, meses antes de o policial ser morto a tiros e ter o corpo carbonizado dentro do próprio carro. A informação consta nos elementos reunidos pela Polícia Civil e em depoimentos de testemunhas ouvidas durante a investigação.

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Segundo a apuração, Antoneudo teria aparecido de surpresa em maio, quando Rafael e Júlia trabalhavam no policiamento a pé na Praça Paulo Benevides, em Messejana, na Grande Fortaleza. Conforme o relato apresentado à polícia, ele permaneceu à distância observando os dois.

Rafael teria contado posteriormente a um familiar que Júlia percebeu a presença do marido e mostrou que Antoneudo acompanhava os dois de longe.

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O episódio passou a ser considerado pelos investigadores dentro do contexto da relação extraconjugal mantida entre os dois policiais militares. Rafael e Júlia eram casados, e a investigação aponta que Antoneudo tinha conhecimento do relacionamento.

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O soldado foi encontrado morto no dia 11 de agosto, dentro do próprio Hyundai I30, já carbonizado, às margens do 4º Anel Viário, na região de Itaitinga. A perícia identificou três disparos na cabeça da vítima.

Júlia e Antoneudo foram presos e posteriormente indiciados pela Polícia Civil por homicídio qualificado. Os dois permanecem presos preventivamente.

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Relação entre Rafael e Júlia teria começado meses antes

De acordo com o depoimento de um familiar de Rafael, o soldado teria contado que conheceu Júlia em março deste ano e passou a manter um relacionamento com ela.

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Naquele período, segundo o relato, Júlia estaria separada de Antoneudo, embora continuasse morando na casa da sogra. Os encontros entre os dois policiais aconteciam principalmente depois do expediente.

Para justificar as ausências aos respectivos companheiros, eles teriam utilizado compromissos relacionados ao trabalho, como ocorrências policiais ou permanência por mais tempo no 16º Batalhão da Polícia Militar, unidade onde os dois trabalhavam.

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A relação teria sido interrompida em determinado momento, quando Júlia decidiu reatar com Antoneudo. Durante esse período, segundo o depoimento, o marido teria tido acesso às conversas mantidas entre ela e Rafael.

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Júlia também teria mostrado ao companheiro uma fotografia do soldado.

Ainda conforme o relato de testemunha, Antoneudo passou a demonstrar hostilidade em relação a Rafael. O familiar afirmou que, em ocasiões nas quais o marido de Júlia aparecia no trabalho dela para entregar comida, ele teria encarado o soldado com expressão de raiva.

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Esse conjunto de informações é analisado pela Polícia Civil para compreender a possível motivação do assassinato.

Encontro em Messejana chamou atenção dos investigadores

O episódio ocorrido em maio ganhou relevância porque teria acontecido meses antes da morte de Rafael.

Na ocasião, os dois policiais estavam trabalhando juntos em uma praça de Messejana quando Antoneudo teria aparecido inesperadamente.

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Segundo o depoimento, Júlia percebeu a presença do marido e alertou Rafael de que ele estava observando os dois.

A situação, conforme a investigação, demonstra que Antoneudo já teria conhecimento ou suspeita sobre a proximidade entre a esposa e Rafael antes do assassinato.

A Polícia Civil trabalha com a hipótese de motivação passional, mas ainda busca esclarecer o que teria provocado a decisão de matar o soldado.

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Rafael teria decidido assumir relacionamento com Júlia

Outro elemento considerado pela investigação ocorreu um dia antes do assassinato.

Segundo informações reunidas pela Polícia Civil, Rafael teria contado a um amigo, também integrante da área de segurança pública, que havia conversado com Júlia e que os dois pretendiam terminar seus respectivos casamentos para assumir a relação.

O relato é considerado relevante porque antecede imediatamente a morte do soldado.

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Outras testemunhas também confirmaram aos investigadores a existência do relacionamento entre os dois policiais. Uma delas relatou que, durante o período em que Júlia esteve separada do marido, ela teria ido até o local de trabalho de Rafael para levar comida enquanto ele estava de serviço.

A investigação passou a cruzar esses relatos com imagens de câmeras de segurança, registros de deslocamento e demais elementos periciais.

Investigação aponta sequência de acontecimentos na madrugada

Os registros analisados pela Polícia Civil permitiram estabelecer uma sequência dos acontecimentos que antecederam a morte de Rafael.

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Segundo o inquérito, Rafael e Júlia trabalharam juntos no 16º Batalhão entre a tarde do dia 10 de agosto e a madrugada do dia seguinte. O encerramento do serviço dos dois foi registrado pelas câmeras da unidade entre 1h48 e 1h58.

Às 2h19, os dois foram ao estacionamento do batalhão e entraram no Hyundai I30 de Rafael.

Pouco depois, às 2h36, o veículo passou pela Avenida Jornalista Thomaz Coelho, seguindo em direção ao Terminal da Messejana.

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Quatro minutos depois, o carro chegou à Rua Florêncio Fontenele, onde Júlia morava com Antoneudo.

Às 2h41, imagens registraram o Hyundai I30 circulando lentamente pela rua até estacionar sob uma árvore. O veículo permaneceu parado por aproximadamente 21 minutos.

A partir desse ponto, a investigação identificou a aproximação de outro carro.

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Prisma de Antoneudo aparece próximo ao veículo de Rafael

Às 3h02, um Chevrolet Prisma branco se posicionou atrás do carro de Rafael.

De acordo com a investigação, o veículo havia sido adquirido por Antoneudo.

Quatro minutos depois, às 3h06, o Prisma realizou uma manobra e ficou com a traseira próxima à traseira do Hyundai I30.

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É nesse momento que as imagens registram clarões próximos aos veículos. Para os investigadores, os registros são compatíveis com os disparos de arma de fogo que mataram Rafael.

A perícia apontou três tiros na cabeça do soldado.

Às 3h07, os dois carros deixaram o local. As imagens seguintes mostram o Prisma seguindo à frente e o veículo de Rafael acompanhando o trajeto.

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A investigação considera esse deslocamento como parte da sequência que terminou com o carro da vítima sendo encontrado incendiado.

Carro de Rafael foi levado para Itaitinga

Às 3h22, o Chevrolet Prisma atribuído a Antoneudo foi registrado por uma câmera a apenas 226 metros do ponto onde o Hyundai I30 e o corpo de Rafael seriam encontrados carbonizados.

Sete minutos depois, às 3h29, o Prisma aparece novamente em deslocamento. A gravação permite identificar pelo menos duas pessoas dentro do veículo.

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Às 3h32, o carro retorna à Rua Florêncio Fontenele e entra na residência de Júlia e Antoneudo.

Posteriormente, outros registros passaram a ser importantes para confrontar a versão apresentada pela policial.

Às 7h17, Antoneudo foi filmado conduzindo o Prisma até uma oficina. Júlia também aparece no local usando um vestido rosa.

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Segundo a investigação, posteriormente ela afirmaria ter sido sequestrada naquela madrugada.

Pouco depois, Antoneudo deixou a oficina utilizando um Fiat Pulse vermelho. Às 7h38, ele e Júlia foram registrados levando a filha para a escola.

Às 11h03, o Pulse foi identificado em Aquiraz.

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Menos de uma hora depois, às 12h01, uma moradora acionou a polícia após encontrar Júlia saindo de uma área de mata. A policial teria relatado ter sido vítima de um sequestro.

Versão apresentada por Júlia é confrontada com imagens

Um dos pontos centrais da investigação é justamente a divergência entre a versão apresentada por Júlia e os registros obtidos pelos investigadores.

A policial teria afirmado que estava amarrada durante parte do período em que as câmeras registraram sua movimentação.

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As imagens de uma oficina e de uma escola, porém, passaram a ser utilizadas pela Polícia Civil para confrontar essa narrativa.

Júlia foi presa em flagrante ainda no dia 11 de agosto, enquanto prestava depoimento sobre o caso. Antoneudo foi localizado e preso posteriormente, no mesmo dia, com documentos falsos e munições, conforme já havia sido informado pelas autoridades.

No dia 13 de agosto, os dois passaram por audiência de custódia. A Justiça decretou a prisão preventiva de ambos, que seguem detidos.

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A Polícia Civil continua investigando o caso para esclarecer a participação individual de cada suspeito e todos os detalhes da morte de Rafael.

As informações sobre a suposta monitoração do soldado meses antes do crime, os registros de câmeras e os depoimentos de testemunhas integram o conjunto de elementos usados pelos investigadores para reconstruir a dinâmica do homicídio. A motivação passional é uma das linhas consideradas pela investigação, mas o caso ainda depende da conclusão das diligências e da análise das provas.


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