O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, quesitonado sobre o financiamento de R$ 61 milhões destinado à produção de “Dark Horse”, não explicou o dinheiro pedido ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O filme em questão, que retrata a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi abordado durante entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Record, exibida neste domingo (30).
O financiamento foi um dos assuntos abordados pela jornalista Mariana Godoy, que questionou Flávio sobre a origem dos recursos e sobre documentos relacionados à produção. A jornalista também citou as tratativas que chegaram a R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master.
Flávio afirmou que a captação foi realizada exclusivamente com recursos privados e negou qualquer utilização de dinheiro público ou da Lei Rouanet. “Não tem absolutamente nada de errado em um filho buscar um financiamento, um patrocínio privado, para uma empresa privada, sem nada, zero, zero, zero, zero de dinheiro público. Não fui buscar a Lei Rouanet”, declarou.
Flávio Bolsonaro é questionado sobre financiamento de Dark Horse
Durante a entrevista, Mariana Godoy também citou questionamentos levantados sobre os gastos da produção nos Estados Unidos e sobre a execução do projeto. A jornalista mencionou informações segundo as quais apenas uma das cinco etapas previstas teria sido realizada no Brasil e questionou se Flávio ou a produtora apresentariam novos documentos, contratos ou números auditados para esclarecer as dúvidas.
O candidato não respondeu diretamente se novos documentos ou uma auditoria seriam disponibilizados ao público. Em vez disso, disse que o filme já está concluído e que a produtora realizou a prestação de contas.
Flávio também declarou que o patrocínio teve início em 2025 e disse estar tranquilo em relação ao caso. Segundo ele, os recursos captados foram utilizados integralmente na produção do filme.
A controvérsia envolvendo Dark Horse ganhou força depois da divulgação de conversas entre Flávio e Daniel Vorcaro. Os diálogos e outros documentos indicaram a existência de tratativas para um financiamento que poderia chegar a aproximadamente R$ 134 milhões. Flávio inicialmente negou que o Banco Master tivesse financiado a obra e posteriormente confirmou a captação de R$ 61 milhões.
Vorcaro está preso e é investigado pela Polícia Federal por suspeitas relacionadas a crimes contra o sistema financeiro e corrupção. Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.
O que a perícia apontou sobre os gastos do filme
A GoUp Entertainment, responsável pela produção de Dark Horse, contratou uma perícia privada para analisar as despesas do longa-metragem. O documento, porém, não rastreou a origem dos recursos transferidos pelo fundo Havengate Development, dos Estados Unidos, utilizados para financiar a produção.
De acordo com o laudo, os gastos registrados no Brasil entre 1º de junho de 2025 e 4 de junho de 2026 chegaram a US$ 3.728.084,66. No mesmo período, as despesas relacionadas à produção nos Estados Unidos foram de US$ 9.664.996,63.
O documento classifica os recursos como privados e afirma não ter identificado ligação com dinheiro público. Ao mesmo tempo, não apresenta detalhes sobre a origem dos valores transferidos pelo fundo norte-americano.
A produção também entrou no radar de questionamentos relacionados a despesas de pessoas ligadas ao grupo Bolsonaro nos Estados Unidos. A Polícia Federal apura se parte dos recursos teria sido usada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro durante sua permanência no país. O ex-deputado nega ter recebido dinheiro de Vorcaro por meio de fundo de investimento.
Na entrevista, Flávio voltou a defender a legalidade do financiamento e comparou a situação com questionamentos envolvendo o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua relação com o Banco Master.
Flávio voltou a falar sobre o caso em sabatina
O financiamento de Dark Horse também foi abordado na sabatina de Flávio Bolsonaro no Jornal Nacional, da TV Globo, exibida na sexta-feira (28). Na ocasião, os jornalistas César Tralli e Renata Vasconcellos questionaram o candidato sobre a controvérsia.
Flávio classificou o assunto como um “livro fechado” e afirmou que as informações poderiam ser consultadas por quem tivesse interesse.
Na entrevista à Record, ele voltou a sustentar que a produtora prestou contas à Justiça e que uma perícia não teria identificado irregularidades ou utilização de recursos públicos.
O candidato também apresentou o filme como uma homenagem ao pai. “Muito em breve, se Deus quiser, todos poderão ver essa grande obra de arte, essa grande produção cinematográfica, em homenagem ao presidente Bolsonaro, alguém que quase deu a sua vida, quase perdeu a sua vida para defender o seu próprio país”, afirmou.
Flávio fala sobre segurança e Escudo das Américas
Durante a entrevista, Flávio também apresentou propostas relacionadas à segurança pública e ao combate ao narcotráfico. O candidato afirmou que, caso seja eleito, pretende incluir o Brasil no chamado “Escudo das Américas”.
Segundo ele, a iniciativa reuniria países da América Latina, América Central e América do Norte em ações de combate ao narcotráfico.
Flávio também afirmou que pretende classificar o Comando Vermelho, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e milícias como organizações criminosas.
Questionado sobre uma declaração feita em 2025, quando havia sugerido que os Estados Unidos atacassem embarcações na Baía de Guanabara, dentro do território brasileiro, o candidato negou que a fala representasse um convite para uma intervenção militar estrangeira no Brasil.
“Quem tem que resolver nossos problemas somos nós”, declarou.
Bolsonaro pode ser ministro em eventual governo do filho?
Outro assunto abordado na entrevista foi a possibilidade de Jair Bolsonaro ocupar um ministério em um eventual governo de Flávio.
O candidato afirmou que ainda não tratou diretamente do assunto com o pai. Segundo Flávio, uma eventual participação de Jair Bolsonaro no governo dependeria da vontade do ex-presidente.
Ao ser questionado se Jair poderia assumir um ministério, Flávio respondeu que a decisão dependeria do próprio pai. Ele também afirmou considerar o ex-presidente o “melhor quadro do Brasil” e disse que Jair seria seu conselheiro.




