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SOLIDARIEDADE

“Um sim mudou uma história”: campanha no Ceará reforça importância da doação de órgãos

Doe de Coração chega à 24ª edição com ações durante setembro e histórias de famílias que transformaram a experiência da doação em mobilização

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“Um sim mudou uma história”: campanha no Ceará reforça importância da doação de órgãos
Um “sim” que salva vidas: campanha no Ceará reforça importância da doação de órgãos. Foto: Reprodução

Uma decisão tomada por uma família em um dos momentos mais difíceis da vida pode representar uma nova chance para pessoas que aguardam por um transplante. É com essa mensagem que a campanha Doe de Coração chega à 24ª edição no Ceará, com uma programação ao longo de setembro voltada à conscientização sobre a doação de órgãos, sangue e medula óssea.

Leia também: Santa Casa de Fortaleza realiza mais de 3 mil atendimentos à saúde da mulher em 2026

A mobilização foi lançada nesta terça-feira (1º), em uma cerimônia realizada na biblioteca da Universidade de Fortaleza (Unifor), reunindo transplantados, familiares, profissionais e articuladores da iniciativa. Criada em 2003, a campanha busca ampliar o diálogo sobre a doação e estimular as famílias a conversarem sobre a decisão ainda em vida.

Uma das histórias que ajudam a traduzir a importância desse gesto é a de Ana Maria Maciel. Há três anos, a filha dela recebeu um novo coração depois de passar quase um ano na fila de espera por um transplante.

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A experiência fez com que Ana Maria se aproximasse ainda mais da causa. Ao lembrar o que aconteceu com a filha, ela resume o sentimento de gratidão pela oportunidade recebida: “A minha filha teve um novo coração, graças a Deus”, afirma Ana Maria.

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Campanha Doe de Coração chega à 24ª edição

A iniciativa começou há mais de duas décadas e, desde então, passou a ocupar espaço no calendário de mobilizações relacionadas à doação de órgãos no Ceará.

À frente da Fundação Edson Queiroz, Lenise Queiroz Rocha destaca que a campanha nasceu em um momento de forte envolvimento familiar e continua com o mesmo propósito anos depois. Segundo ela, o objetivo permanece sendo sensibilizar a população para a possibilidade de transformar uma perda em esperança para outras pessoas.

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“Começamos essa campanha em 2003, um ano de grande emoção para toda a nossa família, e hoje, depois de 24 anos, continuamos incentivando as pessoas a doarem órgãos”, explica Lenise.

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Para a presidente da Fundação Edson Queiroz, a conscientização passa principalmente pela compreensão de que a morte de uma pessoa pode representar a continuidade da vida de outras. Ela defende que as famílias conheçam a importância da decisão e estejam preparadas para conversar sobre o assunto.

A campanha também busca combater dúvidas e mitos que ainda cercam a doação. O reitor da Unifor, Randal Pompeu, considera a conscientização um dos principais desafios para ampliar o número de potenciais doadores.

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“O papel mais relevante, o mais importante é a conscientização das pessoas de que elas podem ser doadoras e isso quebrar esse mito da doação”, afirma Randal.

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Programação terá ações durante todo o mês de setembro

As atividades do Doe de Coração serão realizadas ao longo de setembro em diferentes pontos de Fortaleza. A programação inclui iniciativas relacionadas à doação de órgãos, sangue e medula óssea, além de ações de informação e educação em saúde.

Entre as atividades previstas está uma jornada com palestras marcada para o dia 16 de setembro. O encontro deverá reunir professores da Unifor e profissionais de saúde que atuam em hospitais de referência em transplantes no Ceará.

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A programação também terá uma ação na Praça do Ferreira no dia 25 de setembro, com atividades voltadas à promoção e à educação em saúde.

A campanha ainda prevê cadastro de doadores de medula óssea e coleta de sangue em parceria com o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce), além de outras atividades em espaços da universidade e unidades hospitalares.

A coordenadora da campanha, Lorraine Borges, explica que a proposta é levar a discussão para além dos espaços especializados e aproximar a população do tema. A ideia é fazer com que mais pessoas tenham acesso a informações sobre como funciona a doação e entendam a importância de conversar com os familiares sobre o assunto.

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Artista cearense cria nova identidade visual da campanha

A edição deste ano também ganhou uma nova identidade visual assinada pelo médico e artista cearense Hélio Rôla. O trabalho utiliza cores e formas associadas ao universo da vida e da circulação do sangue para representar a renovação proporcionada pela doação.

A criação surgiu de maneira espontânea, a partir de desenhos que o artista já vinha produzindo. Ele conta que começou trabalhando com recortes e formas de coração sem imaginar inicialmente que aquele material poderia se transformar na identidade da campanha.

“Eu estava desenhando, eu tinha recortado um coração e esse outro coração eu estava pondo em cima de desenhos. Mas eu não tinha nem a intenção disso”, relata Hélio.

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Depois que recebeu o convite para participar do projeto, o artista percebeu que os elementos que já estava desenvolvendo poderiam dialogar com a proposta da campanha. “Aí eu vi que o que eu estava fazendo era interessante”, conta Hélio.

A nova identidade visual passa, assim, a acompanhar as ações do Doe de Coração durante o mês de setembro.

Experiência de perda também virou campanha pela doação

Outra história apresentada durante o lançamento foi a da empresária de comunicação Gaída Dias, que transformou uma experiência familiar de dor em uma mobilização pela conscientização sobre a doação de órgãos.

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Gaída viveu a espera por um doador durante um período de grande sofrimento. Segundo ela, enquanto aguardava uma possibilidade para a filha Sofia, fazia orações para que outra família tivesse a coragem de autorizar a doação.

“No momento do desespero, no momento da dor, eu rezava muito para que alguém desse o sim”, conta Gaída.

Quando surgiu a possibilidade de um doador, porém, a primeira tentativa não se concretizou. “O primeiro deu um não e outros dois deram sim”, relata.

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A experiência também mudou a forma como Gaída enxergava a própria decisão que poderia precisar tomar no futuro. Quando Sofia morreu e a família foi consultada sobre a possibilidade de doar os órgãos, ela se lembrou do “sim” que havia esperado durante o período de busca por um transplante.

“Quando a Sofia morreu, quando o médico nos perguntou se a gente autorizava a doação de órgãos, assim como eu recebi o sim, a gente deu sim também”, afirma.

A partir dessa vivência, Gaída passou a encabeçar a campanha Maria Sofia, voltada à conscientização sobre a importância da doação de órgãos.

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Conversa dentro da família pode fazer diferença

As histórias compartilhadas durante o lançamento mostram diferentes lados de uma mesma questão: enquanto uma família espera pela possibilidade de um transplante, outra pode precisar tomar uma decisão difícil em meio ao luto.

Por isso, uma das principais mensagens da campanha é a necessidade de falar sobre o assunto antes que uma situação de morte aconteça. A manifestação da família é fundamental no processo de doação, e o conhecimento prévio sobre a vontade da pessoa pode ajudar a tornar essa decisão mais clara em um momento de extrema fragilidade.

No caso de Ana Maria, o resultado dessa decisão foi a oportunidade de a filha receber um novo coração e continuar a vida. Para Gaída, a experiência de esperar por um doador acabou se transformando na decisão de também permitir que outras pessoas tivessem uma oportunidade.

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A campanha Doe de Coração pretende justamente ampliar esse diálogo durante todo o mês de setembro. Mais do que incentivar uma atitude individual, a mobilização busca fazer com que a doação seja discutida dentro das famílias e deixe de ser um assunto lembrado apenas diante de uma situação de emergência.

Para quem aguarda um transplante, esse diálogo pode significar esperança. E, como mostram as histórias apresentadas na campanha, um “sim” pode ultrapassar o momento em que é dito e representar a possibilidade de uma nova história para outra pessoa.


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