Três furacões avançam simultaneamente pelo Oceano Pacífico neste fim de semana, em um cenário que chama atenção pela ocorrência de diferentes tempestades tropicais ao mesmo tempo. Karina, Lowell e Marie apresentam trajetórias e níveis de intensidade diferentes, mas duas delas chegaram a atingir a categoria máxima da escala de furacões nos últimos dias.
Entre os sistemas, Lowell é o que exige maior atenção por causa da possibilidade de aproximação do Havaí. O furacão, que chegou à categoria 5 na quarta-feira (2), perdeu intensidade e atualmente está na categoria 3. A previsão do Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC) indica uma mudança importante na trajetória durante o fim de semana.
A expectativa é que Lowell faça uma curva acentuada em direção ao norte. Com isso, o sistema deve passar próximo das ilhas de Oahu e Kauai, no arquipélago havaiano.
A possível aproximação acontece em um momento de vulnerabilidade para o Havaí. A região enfrentou episódios de chuva intensa e enchentes repentinas ao longo dos últimos seis meses. Por isso, mesmo uma tempestade que chegue com menor intensidade pode representar risco de novos transtornos.
Furacão Lowell pode passar perto do Havaí
Lowell segue em deslocamento para oeste, mas a mudança prevista na direção é um dos principais fatores de atenção para as autoridades e moradores das áreas potencialmente afetadas.
Outro elemento de preocupação é a condição do solo. Após meses com episódios de precipitações intensas, áreas que já estejam saturadas podem apresentar maior dificuldade para absorver novos volumes de água. Isso aumenta a possibilidade de alagamentos e outros impactos associados às chuvas.
O cenário, portanto, não depende apenas da categoria do furacão. A trajetória, a quantidade de chuva e as condições encontradas pelo sistema ao se aproximar do Havaí também são determinantes para avaliar os riscos.
Karina perde força no Pacífico
O furacão Karina apresenta uma evolução diferente. Depois de alcançar a categoria 3 nos últimos dias, o sistema foi rebaixado para a categoria 2 enquanto se deslocava a leste das ilhas havaianas.
A previsão do NHC aponta continuidade da perda de intensidade nas próximas 48 horas. Com o enfraquecimento, diminui também a perspectiva de impactos mais severos associados à tempestade.
A posição de Karina é outro elemento importante para compreender o cenário no Pacífico. Embora esteja na mesma região oceânica de Lowell, os dois sistemas não apresentam a mesma tendência de evolução.
Enquanto Lowell desperta atenção pela possibilidade de mudança de trajetória em direção ao norte, Karina deve seguir perdendo força.
Marie ganha intensidade perto do México
Na outra ponta do cenário está Marie. Diferentemente de Lowell e Karina, a tempestade está ganhando força.
Marie está localizada a aproximadamente 640 quilômetros da costa da Península da Baja Califórnia, no México. A previsão do NHC indica que o sistema poderá provocar ondas fortes na costa sudoeste mexicana e na própria Baja Califórnia durante o fim de semana.
Os efeitos também podem alcançar áreas mais ao norte. Existe possibilidade de ondas fortes no sul da Califórnia.
A situação de Marie mostra como o comportamento dos sistemas tropicais pode variar mesmo quando eles estão ativos simultaneamente no mesmo oceano. Enquanto algumas tempestades perdem intensidade, outra pode continuar se fortalecendo e ampliando os riscos para regiões costeiras.
Qual é a relação entre o El Niño e os furacões?
A presença simultânea dos três furacões está relacionada às condições de temperatura do Oceano Pacífico. Segundo as informações da NOAA, o El Niño deste ano apresenta intensidade histórica, com possibilidade de se tornar o mais forte já registrado.
O fenômeno ocorre quando as águas do Pacífico ficam mais quentes do que a média histórica. O aumento da temperatura do oceano interfere na quantidade de umidade disponível na atmosfera.
Esse calor adicional favorece a liberação de mais umidade para o ar. A umidade, por sua vez, pode alimentar sistemas atmosféricos e fornecer energia para o desenvolvimento de tempestades.
É nesse contexto que a atividade dos furacões ganha importância. A temperatura da superfície do mar é um dos elementos que influenciam a formação e a intensidade desses sistemas, embora a evolução de cada tempestade também dependa de outras condições atmosféricas.




