Uma loja católica foi atacada durante a madrugada desta quarta-feira (9), no Centro de Fortaleza, na mesma noite em que outros estabelecimentos de artigos religiosos também foram alvo de ações criminosas. No comércio da Rua Floriano Peixoto, um artefato inflamável foi colocado na entrada e provocou um princípio de incêndio. Ao lado da loja, ainda foi deixado um cartaz com a ameaça: “Se reabrir todos morrem”.
A mensagem também trazia uma referência religiosa: “Eu sou o Senhor quem falo”. O material foi recolhido pela Polícia Civil. Apesar da ameaça, a loja católica abriu normalmente nesta quarta-feira.
O ataque ocorreu em uma madrugada marcada por ocorrências semelhantes em outros estabelecimentos de artigos religiosos no Centro. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) confirmou a investigação de tentativas de incêndio contra três lojas na região.
Loja católica atacada em Fortaleza recebe ameaça
Na loja da Rua Floriano Peixoto, o fogo ficou concentrado na área externa. A porta foi chamuscada e parte da entrada foi atingida pelas chamas, mas o incêndio não avançou para dentro do estabelecimento.
Nenhum produto da loja foi danificado, conforme as informações disponibilizadas. As chamas atingiram principalmente a calçada e a estrutura da entrada e foram apagadas antes da chegada do Corpo de Bombeiros.
O ataque ocorreu com o uso de um coquetel molotov, artefato artesanal que utiliza uma garrafa de vidro contendo líquido inflamável.

Além do material incendiário, o cartaz deixado nas proximidades acrescentou uma ameaça direta ao estabelecimento. A Polícia Civil recolheu o objeto para a investigação.
Ataques atingiram lojas no Centro
Na mesma madrugada, três estabelecimentos que comercializam produtos religiosos foram alvo de tentativas de incêndio, segundo a SSPDS. As ocorrências foram registradas no Centro de Fortaleza.
Duas das lojas estão na Rua 24 de Maio. Em um dos locais, a explosão atingiu a porta e deixou estilhaços de vidro no chão. Os danos ficaram concentrados principalmente na parte externa.
Outro estabelecimento da mesma rua também teve a entrada atingida, mas não foram identificados danos provocados pelo fogo no interior da loja.
Uma terceira loja, situada na Rua General Bezerril, também foi alvo dos ataques. A explosão atingiu a fachada e deixou marcas de queimadura na entrada, enquanto a área interna não apresentava sinais de danos causados pelas chamas.
Câmera registra ação de suspeito antes de explosão
Uma câmera de segurança registrou uma das ações. Nas imagens, um homem chega ao estabelecimento de bicicleta, manuseia um artefato inflamável e o coloca dentro de uma bolsa. Depois que ele deixa o local, ocorre uma explosão, seguida de um princípio de incêndio.
Em outro registro dos ataques, um homem aparece utilizando chapéu e blusa azul. Ele se aproxima da entrada de uma loja durante a madrugada e deixa um objeto no local antes de sair.
As imagens disponíveis não permitem identificar o suspeito. Também não há confirmação de que todos os ataques tenham sido cometidos pelo mesmo homem ou de que ele tenha contado com a participação de outras pessoas.
Fachadas foram os principais pontos atingidos
Os danos relatados ficaram, em geral, concentrados nas entradas dos estabelecimentos. Em alguns casos, portas e portões foram atingidos, mas o fogo não chegou à área interna das lojas.
Uma funcionária de um dos estabelecimentos contou que chegou para trabalhar pela manhã e encontrou os sinais deixados pelo ataque. Ela afirmou que os trabalhadores receberam informações sobre um homem que estaria circulando de bicicleta e lançando artefatos contra os comércios.
“Eu sou a primeira a chegar aqui e quando eu cheguei já dei de cara com o acontecido”, relata a funcionária, que preferiu não ser identificada.
Ela disse que a sequência de ocorrências aumentou a preocupação entre os trabalhadores. “Ninguém sabe quem é, de onde foi que saiu, mas está deixando todo mundo assustado”, conta.
A funcionária também relatou que o estabelecimento havia recebido ligações consideradas ameaçadoras no passado. Segundo ela, isso ocorreu há bastante tempo e não há elementos que permitam estabelecer relação entre aqueles episódios e os ataques desta madrugada.
“Só algumas ligações que tiveram, mas nada assim. Há muito tempo atrás, muito tempo atrás mesmo”, explica.
Questionada sobre o teor das chamadas, ela confirmou que havia ameaças, mas ressaltou que não é possível associá-las aos acontecimentos atuais. “Agora a gente não sabe se tem alguma coisa a ver, né? Aí eu não vou ligar uma coisa com a outra porque a gente não sabe”, afirma.
Para a funcionária, a presença das autoridades é importante para esclarecer o caso. “Seria importante a polícia estar aqui para estar fazendo essa investigação”, defende.
Polícia Civil investiga ataques no Centro de Fortaleza
A SSPDS informou que equipes da Polícia Militar do Ceará (PMCE) e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará (CBMCE) foram acionadas durante as ocorrências.
A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) conduz a investigação sobre as tentativas de incêndio nas lojas. O caso está sob responsabilidade da 24ª Delegacia do Distrito Policial, que realiza diligências para esclarecer os fatos.
A SSPDS também orientou que as vítimas compareçam presencialmente à unidade policial responsável pelo caso para contribuir com a investigação.
Até o momento, nenhum suspeito foi preso. A autoria e a motivação dos ataques ainda não foram esclarecidas.
Denúncias para a polícia
A população pode contribuir com investigações das forças de segurança do estado do Ceará repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via "e-denúncias", o site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.
As informações também podem ser encaminhadas para os telefones (85) 3101-4926/4927 da 24ª DP. O sigilo e o anonimato são garantidos.




