A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende usar a investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre o financiamento do filme “Dark Horse” como um dos argumentos eleitorais de 2026. A estratégia prevê a utilização do caso em peças de televisão, rádio e redes sociais, destacando que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro aparece formalmente como investigado no inquérito.
Uma das peças preparadas pela campanha associa o caso a suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro.
A investigação foi solicitada pela Polícia Federal (PF), recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR) e foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, em julho deste ano.
O inquérito apura a obtenção e a movimentação de recursos destinados à produção de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Segundo informações reunidas na investigação, Flávio Bolsonaro teria atuado para conseguir cerca de R$ 70 milhões junto ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do extinto Banco Master, para financiar o projeto.
A apuração faz parte do conjunto de investigações relacionadas ao Banco Master e a Vorcaro. A PF pediu a abertura do procedimento para aprofundar as suspeitas sobre a origem e o caminho dos recursos que teriam sido destinados à produção do longa.
Campanha pretende levar caso para TV, rádio e redes sociais
Com a divulgação das informações sobre a investigação, a campanha pretende direcionar parte do debate para Flávio Bolsonaro, que é candidato à Presidência da República em 2026.
A estratégia deverá explorar a diferença entre a situação jurídica de Lula e a de Flávio Bolsonaro no caso. Os materiais eleitorais devem ressaltar que o presidente não é investigado nesse inquérito, enquanto o senador aparece formalmente entre os alvos da apuração relacionada ao financiamento de “Dark Horse”.
Uma das peças já produzidas utiliza a afirmação de que Flávio Bolsonaro é investigado por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do filme. A campanha pretende levar esse conteúdo para diferentes plataformas de comunicação durante a disputa eleitoral.
O que investiga o caso ‘Dark Horse’
O procedimento conduzido no STF busca esclarecer como foram obtidos os recursos para a produção do filme sobre Jair Bolsonaro.
Conforme as informações reunidas no inquérito, Flávio Bolsonaro teria negociado com Daniel Vorcaro a obtenção de aproximadamente R$ 70 milhões para o projeto. A investigação procura esclarecer a origem dos valores, como ocorreu a movimentação financeira e qual foi a destinação dos recursos.
O caso está relacionado às apurações sobre o extinto Banco Master e sobre Vorcaro, que é investigado em outros procedimentos. Já “Dark Horse” é uma cinebiografia de Jair Bolsonaro e tem o ator norte-americano Jim Caviezel no papel do ex-presidente.
A abertura da investigação ocorreu após pedido da Polícia Federal. A Procuradoria-Geral da República foi consultada e apresentou parecer favorável ao procedimento, posteriormente autorizado por André Mendonça.
Investigação não significa condenação
Apesar da estratégia eleitoral preparada pela campanha de Lula, a condição de investigado não significa que Flávio Bolsonaro tenha sido condenado ou que as suspeitas tenham sido comprovadas judicialmente.
A abertura de um inquérito permite que a Polícia Federal aprofunde a apuração sobre fatos que levantaram suspeitas e reúna elementos para esclarecer eventual ocorrência de crimes. A conclusão da investigação poderá apontar responsabilidades ou afastar as hipóteses investigadas.
O caso, portanto, deve ser apresentado no debate eleitoral considerando a diferença entre ser alvo de uma investigação e ter culpa reconhecida pela Justiça.
Crise do STF e Banco Master entra no debate eleitoral
A crise envolvendo o Supremo e o Banco Master vinha sendo considerada um problema político para o governo Lula. Integrantes da campanha avaliavam que a proximidade do presidente com Alexandre de Moraes contribuiu para que o episódio alcançasse o Palácio do Planalto no debate público.
A divulgação da investigação contra Flávio Bolsonaro passou, então, a ser vista pela equipe petista como uma possibilidade de deslocar parte da discussão para o principal adversário eleitoral.
A avaliação dos coordenadores é que o novo elemento permite apresentar o caso sob outra perspectiva: enquanto Lula aparece no debate político por sua relação com integrantes do STF, Flávio Bolsonaro é formalmente investigado em um procedimento que envolve o financiamento de um filme sobre seu pai e recursos que teriam sido negociados com Daniel Vorcaro.
A campanha deverá explorar essa diferença na comunicação eleitoral de 2026, especialmente em conteúdos destinados à televisão, ao rádio e às redes sociais.



