O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregue até as 23h deste domingo (13) uma cópia integral do celular de Daniel Vorcaro apreendido durante a Operação Compliance Zero. A decisão ocorre dois dias antes do julgamento previsto para terça-feira (15), quando o plenário da Corte deverá analisar um relatório relacionado a mensagens do banqueiro com o ministro Alexandre de Moraes.
O aparelho é um iPhone 17 Pro, apreendido pela Polícia Federal em 18 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso pela primeira vez no âmbito da investigação.
A determinação de Zanin foi comunicada ao presidente do STF, ministro Luiz Edson Fachin, e acrescenta um novo capítulo à disputa interna sobre o acesso dos ministros ao conteúdo integral extraído do aparelho.
A discussão envolve quais informações devem estar disponíveis aos integrantes da Corte antes da deliberação do plenário. De um lado, há ministros que defendem o acesso completo ao espelhamento do celular para que as mensagens sejam analisadas dentro de um contexto mais amplo. De outro, André Mendonça manifestou preocupação com a abertura e o compartilhamento integral do material neste momento.
Zanin quer acesso integral antes do julgamento
No despacho encaminhado à Polícia Federal, Cristiano Zanin contestou a restrição ao acesso ao conteúdo do aparelho e defendeu que os integrantes do Supremo devem ter condições de examinar integralmente as provas que serão relevantes para o julgamento.
O ministro argumentou que não existe uma relação de hierarquia entre os integrantes do STF e afirmou que as provas relacionadas ao caso pertencem ao plenário da Corte e aos seus ministros, e não exclusivamente a um gabinete.
A manifestação ocorre justamente às vésperas da sessão marcada para terça-feira. Zanin afirmou que precisa analisar o conteúdo completo para formar sua convicção sobre o caso antes da deliberação.
Segundo o ministro, não seria adequado impedir o acesso dos julgadores às informações necessárias para a análise dos fatos, especialmente porque os integrantes do Supremo estão submetidos ao dever de sigilo e devem exercer suas funções com independência e imparcialidade.
A decisão estabelece um prazo específico para o cumprimento da determinação: 23h deste domingo.
Zanin também registrou que a Polícia Federal informou ter condições técnicas de fornecer a cópia do material aos gabinetes dos ministros sem comprometer a cadeia de armazenamento das provas.
Outro ponto mencionado no despacho é que o conteúdo já teria sido disponibilizado aos advogados de Daniel Vorcaro.
André Mendonça questiona compartilhamento do material
A determinação de Zanin foi tomada no mesmo dia em que o ministro André Mendonça enviou um ofício defendendo uma posição diferente sobre a divulgação e o compartilhamento do conteúdo extraído do celular.
Mendonça sustentou que a abertura e o compartilhamento integral das informações poderiam prejudicar o andamento do caso.
Segundo o ministro, disponibilizar todo o conteúdo neste momento “somente contribuiria para tumultuar o julgamento” e poderia colocar “em risco todo o seguimento e êxito das investigações”.
Mendonça também afirmou que os ministros já teriam acesso ao material considerado necessário para o julgamento marcado para terça-feira.
A posição evidencia a divergência sobre o nível de acesso que deve ser concedido aos integrantes do Supremo antes da análise do caso pelo plenário.
Enquanto Mendonça defende cautela para evitar impactos sobre a investigação, Zanin entende que o acesso integral é necessário para que os ministros possam formar suas convicções com base no conjunto completo de informações.
Moraes, Gilmar e Zanin defendem acesso amplo
A discussão sobre o conteúdo do celular de Daniel Vorcaro não está restrita a Zanin e Mendonça.
Ministros como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do próprio Zanin, vinham defendendo o acesso irrestrito ao espelhamento completo do aparelho.
A justificativa apresentada é a necessidade de compreender as mensagens dentro de seu contexto mais amplo antes de qualquer decisão do plenário.
O debate ganha relevância porque o julgamento previsto para terça-feira envolve justamente a análise de mensagens relacionadas a Vorcaro e Alexandre de Moraes.
Nesse cenário, o conteúdo integral do aparelho pode ser considerado importante para que os ministros tenham uma visão mais abrangente dos elementos disponíveis na investigação.
A discussão, portanto, envolve não apenas o conteúdo de determinadas mensagens, mas também a extensão das informações que devem estar à disposição dos julgadores antes da análise colegiada.
O que Zanin determinou à Polícia Federal
A determinação do ministro estabelece que a Polícia Federal forneça a cópia integral do celular apreendido de Daniel Vorcaro.
Zanin direcionou a ordem ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e estabeleceu como prazo final as 23h deste domingo (13).
O ministro também ressaltou que outros gabinetes do Supremo poderão fazer solicitações semelhantes para obter os mesmos dados.
No fim do despacho, Zanin afirmou que sua determinação não impede que outros ministros façam requisições idênticas para receber o conteúdo que será colocado à disposição do relator.
A manifestação reforça a ideia de que o material deve estar acessível aos integrantes da Corte que considerem necessário examiná-lo.
A Polícia Federal, por sua vez, já havia informado, conforme citado por Zanin, que possui condições de disponibilizar o conteúdo aos gabinetes sem prejuízo à preservação da prova.
Celular foi apreendido na Operação Compliance Zero
O aparelho objeto da determinação foi apreendido em 18 de novembro de 2025, quando Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez durante a Operação Compliance Zero.
Desde então, os dados armazenados no dispositivo passaram a integrar os elementos relacionados às investigações.
A controvérsia atual se concentra na extensão do acesso dos ministros ao conteúdo extraído do aparelho e na forma como essas informações devem ser utilizadas antes da análise do plenário.
A situação ganhou maior importância diante da proximidade do julgamento.
A sessão está marcada para terça-feira (15) e deverá colocar os ministros diante das informações relacionadas às mensagens envolvendo Vorcaro e Alexandre de Moraes.
A determinação de Zanin, portanto, ocorre em um momento decisivo. Ao exigir a íntegra do celular antes da sessão, o ministro deixa clara a intenção de examinar diretamente o conjunto completo de informações disponíveis antes de formar sua posição.
Ao mesmo tempo, a manifestação de Mendonça mostra que não há consenso entre os ministros sobre a conveniência de compartilhar todo o conteúdo neste momento da investigação.
Julgamento de terça-feira deve concentrar atenção no STF
A disputa sobre o acesso ao celular de Daniel Vorcaro acrescenta tensão ao ambiente do Supremo às vésperas da sessão de terça-feira.
A questão central agora envolve o acesso às informações e a forma como os ministros deverão analisar o material relacionado às mensagens.
Zanin sustenta que os julgadores precisam ter acesso amplo aos elementos para exercer suas funções com independência e formar convicção sobre o caso.
Mendonça, por outro lado, alerta para os possíveis efeitos do compartilhamento integral sobre o andamento das investigações e sobre o próprio julgamento.
A decisão de Zanin determina que a PF cumpra a entrega até o fim deste domingo, permitindo que o ministro examine o conteúdo antes da sessão prevista para terça-feira.
O episódio mostra que, além da análise das mensagens envolvendo Vorcaro e Moraes, o próprio acesso às provas se tornou parte importante da discussão que antecede o julgamento.
A partir da entrega do material, os gabinetes que solicitarem acesso poderão analisar a íntegra dos dados, enquanto o plenário do STF deverá se debruçar sobre o caso na sessão marcada para o dia 15.




