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INTERNACIONAL

New York Times destaca temor de interferência de Trump na eleição brasileira e cita apoio a Flávio Bolsonaro

Edição impressa do jornal americano afirma que algumas medidas dos Estados Unidos teriam beneficiado o candidato de direita e relata preparação brasileira contra influência externa

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New York Times destaca temor de interferência de Trump na eleição brasileira e cita apoio a Flávio Bolsonaro
O jornal destaca que o governo Trump adotou ações que podem favorecer indiretamente Flávio Bolsonaro na disputa contra Lula. Foto: Divulgação / Casa Branca, Jefferson Rudy / Agência Senado

O temor de uma possível interferência de Donald Trump na eleição presidencial brasileira foi destaque na edição impressa desta quinta-feira (1º) do The New York Times. Em reportagem publicada na seção internacional, o jornal afirma que autoridades brasileiras estão se preparando para possíveis ações de influência externa e cita medidas do governo dos Estados Unidos que teriam servido para beneficiar o candidato de direita Flávio Bolsonaro (PL).

A reportagem ocupa uma página do periódico e traz como título “Some Brazilians Fear Meddling by Trump in Their Coming Election”, que pode ser traduzido como “Alguns brasileiros temem interferência de Trump na próxima eleição”. Logo abaixo, o jornal acrescenta: “Some Steps by U.S. Have Served to Help Right-Wing Candidate”, ou “Algumas medidas dos EUA serviram para ajudar candidato de direita”.

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O jornal destaca que o presidente americano não manifestou publicamente preferência por nenhum dos candidatos brasileiros, mas seu governo adotou ações que podem favorecer indiretamente Flávio Bolsonaro na disputa contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Trump entra no radar da eleição brasileira

A reportagem relaciona a preocupação brasileira ao histórico recente de atuação de Trump em disputas eleitorais da América Latina. O jornal destaca que candidatos de direita alinhados a Washington venceram as últimas sete eleições presidenciais realizadas na região desde o retorno do republicano à Casa Branca.

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Em duas dessas disputas, segundo o periódico, Trump declarou apoio explícito ao candidato que posteriormente venceu. O Brasil, nesse contexto, é apresentado como um dos principais testes para a estratégia americana de ampliar sua influência política na região.

A eleição brasileira também é descrita pelo jornal como o maior teste regional para o histórico recente de sucesso de Trump junto a candidatos de direita. A publicação observa que o presidente americano já afirmou publicamente que os Estados Unidos estariam obtendo bons resultados na América do Sul e que teria ajudado a eleger diversos políticos.

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No caso brasileiro, o New York Times destaca a candidatura de Flávio Bolsonaro e a relação política construída entre Trump e a família do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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A dimensão dessa aproximação aparece inclusive nas imagens que acompanham a reportagem impressa. Uma das fotografias mostra uma manifestação de apoiadores de Flávio em São Paulo, realizada em 7 de setembro, com uma grande imagem de Trump. Outra registra o candidato diante de imagens de Jair Bolsonaro e do presidente americano.

Jornal cita medidas dos EUA que poderiam favorecer Flávio

Embora Trump não tenha anunciado apoio público a Flávio Bolsonaro, o New York Times relaciona ao cenário uma série de medidas adotadas pelo governo americano.

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Entre elas estão sanções contra autoridades brasileiras, tarifas aplicadas sobre produtos do país, questionamentos relacionados às urnas eletrônicas e iniciativas americanas nos setores de segurança e minerais estratégicos.

A reportagem também cita a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos. A medida vinha sendo defendida por Flávio Bolsonaro.

Outro episódio mencionado é a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), posteriormente suspensa.

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O jornal ainda recupera uma declaração de Flávio feita em março, durante o CPAC, no Texas. Na ocasião, o senador afirmou que o Brasil poderia se tornar um dos principais aliados dos Estados Unidos no hemisfério ou assumir uma posição de antagonismo, dependendo do resultado da eleição.

Governo dos EUA nega interferência

O New York Times também apresenta a posição do governo americano sobre as acusações.

Segundo a reportagem, os Estados Unidos rejeitam a ideia de que estejam tentando interferir na eleição brasileira. Dessa forma, o texto do jornal não apresenta como fato comprovado que Trump esteja intervindo diretamente na disputa.

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O foco da reportagem está no temor existente entre autoridades brasileiras diante da possibilidade de influência estrangeira, além dos efeitos políticos que determinadas decisões do governo americano podem produzir sobre a eleição.

A campanha de Flávio Bolsonaro e o Departamento de Estado dos Estados Unidos foram procurados pelo jornal para comentar a reportagem. Segundo o New York Times, não houve resposta imediata aos pedidos.

Brasil prepara proteção contra influência estrangeira

Diante desse cenário, autoridades brasileiras passaram a adotar medidas preventivas para identificar possíveis ações externas capazes de interferir no processo eleitoral.

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O jornal afirma que os esforços incluem o monitoramento de campanhas de influência estrangeira, grupos de pressão e desinformação. Também estão no radar conteúdos produzidos ou impulsionados a partir de outros países.

A reportagem foi construída a partir de entrevistas com mais de uma dezena de servidores públicos e integrantes do sistema eleitoral, além de policiais, agentes de inteligência e diplomatas. Muitos dos entrevistados falaram sob condição de anonimato por não estarem autorizados a se manifestar publicamente.

Entre as preocupações está a possibilidade de uma disputa presidencial acirrada ser afetada por ações externas capazes de alterar a percepção dos eleitores.

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O Brasil também procura ampliar a cooperação internacional. Segundo o jornal, autoridades brasileiras mantêm conversas com representantes de países da Europa, Ásia e outras regiões para trocar informações e discutir mecanismos de proteção dos processos eleitorais.

Redes sociais aumentam preocupação

A atuação nas plataformas digitais aparece como outro ponto de atenção.

O New York Times relata que uma onda recente de publicações pagas compartilhadas por contas de destaque da direita americana aumentou as preocupações sobre uma possível influência externa em favor de Flávio Bolsonaro.

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Entre os conteúdos citados estão publicações relacionadas ao desempenho do senador em mercados de previsão, como o Polymarket. A plataforma foi mencionada pelo jornal no contexto de informações que apontavam para uma possibilidade elevada de vitória de Flávio, em contraste com pesquisas eleitorais que não apresentavam um candidato isoladamente à frente.

A preocupação com esse tipo de atuação não se limita às redes sociais. Órgãos brasileiros de inteligência passaram a tratar possíveis operações estrangeiras de influência digital como uma questão de segurança eleitoral.

Justiça Eleitoral reforça combate à desinformação

O jornal também aborda o papel da Justiça Eleitoral na proteção do processo de votação.

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As medidas incluem ações contra informações falsas sobre as urnas eletrônicas e o funcionamento do sistema eleitoral. O tema já esteve no centro de disputas políticas brasileiras em eleições anteriores, especialmente diante de questionamentos sobre a segurança das urnas.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também ampliou medidas de enfrentamento à desinformação eleitoral e solicitou às principais plataformas digitais planos para combater conteúdos enganosos produzidos com inteligência artificial.

A preocupação com a circulação de informações falsas ganha peso adicional diante da possibilidade de conteúdos produzidos fora do país serem utilizados para influenciar o eleitorado brasileiro.

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Lula é citado como adversário de Trump

A reportagem apresenta Lula como um dos líderes internacionais que mais têm confrontado Trump politicamente.

O New York Times afirma que o presidente brasileiro deixou clara a disposição de defender os interesses do país diante de pressões externas. O jornal recupera o discurso de Lula na abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em setembro, quando o presidente criticou a interferência estrangeira nas eleições brasileiras.

O periódico também cita o bloqueio feito pelo governo brasileiro à visita de emissários dos Estados Unidos que pretendiam acompanhar o sistema eleitoral.

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A postura brasileira ocorre em meio a uma relação marcada por divergências sobre comércio, segurança, recursos naturais e decisões judiciais envolvendo autoridades brasileiras.

Relação entre Brasil e EUA envolve segurança e minerais

A disputa eleitoral também é analisada pelo jornal sob a perspectiva de possíveis mudanças na relação entre Brasília e Washington.

Segundo o New York Times, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia aproximar o Brasil dos Estados Unidos em temas como combate ao crime organizado e exploração de minerais críticos.

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O jornal afirma que Lula rejeitou a possibilidade de entregar recursos estratégicos brasileiros sem contrapartidas. A reportagem menciona ainda documentos vazados atribuídos a um aliado bolsonarista que teriam tratado esses setores como possíveis instrumentos de negociação por apoio político.

O periódico considera que uma vitória de Flávio reforçaria os planos de Washington de ampliar sua influência na América Latina por meio de aliados de direita. Nesse cenário, o Brasil é descrito como um dos principais objetivos dessa estratégia.

Observadores internacionais acompanham eleição

A busca por mecanismos de proteção e transparência também envolve observadores internacionais.

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O TSE informa que sete organizações internacionais terão missões de observação nas Eleições 2026: Organização dos Estados Americanos (OEA), Parlamento do Mercosul (Parlasul), União Europeia, Liga dos Estados Árabes, Rede dos Órgãos de Jurisdição e Administração Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (Rojae-CPLP), União Interamericana de Organismos Eleitorais (Uniore) e Carter Center.

Essas missões podem acompanhar diferentes etapas do processo eleitoral, incluindo preparação, votação, apuração e totalização. A atuação dos observadores é submetida às regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.

O Carter Center já acompanhou as eleições brasileiras de 2022 e avaliou procedimentos relacionados à tecnologia de votação e à transparência do sistema eleitoral.

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Precedente de 2022 também é lembrado

O New York Times recupera ainda o comportamento dos Estados Unidos na eleição presidencial brasileira de 2022.

Naquele ano, o então presidente americano Joe Biden reconheceu a vitória de Lula pouco depois da divulgação do resultado. O gesto diplomático, entretanto, não impediu os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores do então presidente Jair Bolsonaro invadiram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.

O jornal relaciona o episódio ao processo judicial que posteriormente resultou na condenação de Jair Bolsonaro e de outros envolvidos na trama golpista.

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A reportagem também estabelece uma comparação com a invasão do Capitólio dos Estados Unidos por apoiadores de Trump, ocorrida em 2021.

Jornal aponta preocupação com possível reação após a eleição

Outro aspecto levantado pelo New York Times é o comportamento da oposição depois da votação.

Segundo o jornal, há preocupação de que uma eventual derrota de Flávio Bolsonaro possa ser seguida por acusações de fraude eleitoral. A publicação afirma que há indícios de que o candidato poderia adotar discurso semelhante ao apresentado por seu pai após a eleição de 2022.

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A reportagem acrescenta que aliados de Flávio esperariam encontrar apoio de Trump em uma eventual contestação do resultado.


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