As Eleições 2026 estabeleceram um novo marco para a presença feminina no Senado Federal. Doze mulheres foram eleitas neste domingo (4) para as 54 vagas que estavam em disputa, o maior número de senadoras escolhidas em uma mesma eleição desde a redemocratização do Brasil.
A nova composição também fará a bancada feminina alcançar o maior tamanho já registrado na história da Casa. A partir de fevereiro de 2027, a previsão é de que 18 mulheres estejam em exercício no Senado, considerando as titulares eleitas e as suplentes que estiverem ocupando cadeiras naquele momento. O número representa 22,2% das 81 vagas do Senado.
A renovação deste ano ocorreu em dois terços do Senado, com a escolha de dois representantes por estado e pelo Distrito Federal. As novas senadoras terão mandatos de oito anos, com início em 1º de fevereiro de 2027 e término previsto para 2035.
Quem são as 12 mulheres eleitas para o Senado
As novas senadoras foram escolhidas em 11 unidades da Federação. O Ceará terá Luizianne Lins (Rede) como uma das representantes do Estado no Senado a partir da próxima legislatura. Ela foi eleita ao lado de Cid Gomes (PSB), que conquistou a reeleição.
A lista das mulheres eleitas é formada por:
- Mara Rocha (Republicanos), pelo Acre;
- Marina JHC (PSDB), por Alagoas;
- Rayssa Furlan (Podemos), pelo Amapá;
- Luizianne Lins (Rede), pelo Ceará;
- Michelle Bolsonaro (PL), pelo Distrito Federal;
- Bia Kicis (PL), pelo Distrito Federal;
- Gracinha Caiado (União), por Goiás;
- Marília Campos (PT), por Minas Gerais;
- Marília Arraes (PDT), por Pernambuco;
- Samanda de Lula (PT), pelo Rio Grande do Norte;
- Teresa Surita (MDB), por Roraima;
- Carol de Toni (PL), por Santa Catarina.
O resultado supera a marca registrada em 2002, quando oito mulheres foram eleitas para o Senado. Em 2018, última eleição em que dois terços da Casa foram renovados, sete candidatas conquistaram vagas.
A eleição de 2026 também aumentou a participação feminina entre as candidaturas. Foram 69 mulheres concorrendo ao Senado, número superior ao registrado em 2022 e 2018.
Distrito Federal terá bancada formada apenas por mulheres
O Distrito Federal terá uma composição inédita no Senado a partir de 2027. Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, foram eleitas para as duas vagas que estavam em disputa e se juntarão a Damares Alves (Republicanos), que possui mandato até 2031. Com isso, as três cadeiras destinadas ao Distrito Federal serão ocupadas por mulheres. É a primeira vez que uma unidade da Federação terá toda a bancada do Senado formada por senadoras.
O resultado também estabelece outro marco: o Distrito Federal se tornou a primeira unidade da Federação a eleger duas mulheres para o Senado em uma mesma eleição. Michelle Bolsonaro chega à Casa para o primeiro mandato eletivo, enquanto Bia Kicis deixa a Câmara dos Deputados após dois mandatos para assumir a vaga no Senado.
Como ficará a bancada feminina do Senado
As 12 novas eleitas se juntarão às mulheres que já possuem mandato para a próxima legislatura. Entre as titulares eleitas em 2022 estão Damares Alves (Republicanos-DF), Professora Dorinha Seabra (União-TO), Teresa Leitão (PT-PE) e Tereza Cristina (PP-MS).
Também permanecem no exercício do mandato Jussara Lima (PSD-PI) e Lourdinha Pereira (PSB-MA), que ocupam cadeiras como suplentes. Com essa composição, a projeção do Senado é chegar a 18 mulheres em exercício no início de 2027.
O número representa uma evolução em relação ao patamar registrado ao longo das últimas décadas. Em 1980, havia apenas uma senadora em exercício no início da sessão legislativa. A quantidade chegou a cinco em 1995, dez em 2007 e 14 em 2015. Em 2026, a Casa alcançou 16 mulheres simultaneamente em exercício, até então o maior número da série histórica.
A composição feminina, porém, terá mudanças importantes. Nenhuma das atuais senadoras que disputaram a reeleição conseguiu renovar o mandato nas urnas neste ano. Entre as parlamentares que deixarão a Casa estão Leila Barros (PDT-DF), Eliziane Gama (PSD-MA), Soraya Thronicke (PSB-MS), Mara Gabrilli (PSD-SP), Dra. Eudócia (PSDB-AL), Daniella Ribeiro (PP-PB), Roberta Acioly (Republicanos-RR) e Ivete da Silveira (MDB-SC).
Eleição amplia presença feminina entre os estados
O resultado de 2026 também produziu mudanças na representação feminina por unidade da Federação. Rayssa Furlan será a primeira mulher eleita para representar o Amapá no Senado.
Com a nova composição, o Piauí passa a ser o único estado que ainda não elegeu diretamente uma mulher para a Casa. Considerando também as suplentes que já exerceram mandatos, no entanto, todas as unidades da Federação já tiveram mulheres no Senado.
A trajetória da representação feminina na Casa começou com a presença de Eunice Michiles, que assumiu uma cadeira como suplente em 1979. As primeiras mulheres eleitas diretamente para o Senado foram Júnia Marise, por Minas Gerais, e Marluce Pinto, por Roraima, em 1990.
A nova bancada também terá representantes de diferentes partidos e regiões do país. Entre as eleitas estão nomes que já possuem trajetória no Legislativo, como Bia Kicis, e parlamentares que chegam ao Senado pela primeira vez, como Michelle Bolsonaro. As 12 novas senadoras assumirão os mandatos em 1º de fevereiro de 2027, quando começa a próxima legislatura do Senado Federal.




