O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial de 2026. A manifestação foi divulgada nesta segunda-feira (5), um dia depois da realização do primeiro turno, quando o candidato do Novo terminou a disputa em sexto lugar.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Zema afirmou que não pretende se manter neutro na disputa e confirmou o voto em Flávio. O segundo turno está marcado para 25 de outubro e será disputado entre o candidato do PL e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição.
“Eu não vou me omitir nem ficar em cima do muro nesse momento tão importante. Voto contra o PT. Voto no Flávio Bolsonaro. O Brasil não aguenta mais 4 anos de Lula, nem mais 4 ministros nomeados pelo Lula. Estamos juntos no dia 25, conto com você”, afirmou Zema.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. O resultado levou os dois candidatos para a segunda etapa da eleição presidencial, marcada para o dia 25 de outubro.
Zema cita resultado do Congresso e fala em impeachment
Além de anunciar o voto em Flávio Bolsonaro, Zema utilizou a declaração para comentar a composição do Congresso Nacional a partir de 2027. O ex-governador afirmou que o avanço de candidatos de direita na Câmara dos Deputados e no Senado poderá abrir espaço para pedidos de impeachment.
“A mensagem que o brasileiro mandou nas urnas nesse último domingo está muito clara. Precisamos tirar os intocáveis de Brasília. Com o avanço que a direita teve no Senado e na Câmara, ela já tem um número de parlamentares suficiente para poder pedir o impeachment”, declarou.
Na publicação, Zema também mencionou a possibilidade de um eventual processo de impeachment contra o presidente Lula e voltou a criticar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A manifestação ocorre depois de o ex-governador já ter sinalizado, no domingo (4), que se posicionaria contra o PT caso não avançasse para o segundo turno. Na ocasião, porém, ele ainda não havia citado diretamente o nome de Flávio Bolsonaro.
“Onde estiver PT no segundo turno, eu estarei contra o PT. Porque PT é atraso. PT já teve todas as chances de mostrar para o que veio e o que ele entregou é um país estagnado, um país repleto de corrupção, como nós estamos vendo”, disse após a divulgação do resultado.
Candidato do Novo teve 326 mil votos
Zema terminou o primeiro turno com 326.488 votos, equivalente a 0,27% dos votos válidos. O desempenho colocou o ex-governador na sexta posição da corrida pelo Palácio do Planalto.
Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.268 votos, ou 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula teve 53.876.617 votos, correspondentes a 45,16%, segundo os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na sequência da classificação ficaram Augusto Cury (Avante), em terceiro lugar, e Renan Santos (Missão), em quarto. Ronaldo Caiado (PSD) terminou em quinto, à frente de Zema.
Apesar do resultado individual na disputa presidencial, Zema avaliou que a candidatura cumpriu o principal objetivo estabelecido pelo Novo para a eleição: ampliar a presença da legenda no Congresso e alcançar a cláusula de barreira.
No domingo, após o encerramento da votação, o ex-governador afirmou estar satisfeito com o desempenho do partido. Ele também comemorou a eleição de integrantes do Novo para a Câmara dos Deputados e o Senado.
“A missão está concluída. Partido Novo atingindo cláusula de barreira e direita fortalecida. Seguiremos. SEMPRE contra o PT. Meu muito obrigado a todos. Que Deus abençoe o Brasil”, escreveu nas redes sociais.
A cláusula de barreira estabelece um desempenho eleitoral mínimo para que os partidos tenham acesso a recursos do Fundo Partidário e ao tempo de propaganda em rádio e televisão. Para Zema, ampliar a presença do Novo no Congresso fazia parte dos objetivos de sua candidatura presidencial.
Novo ainda vai definir posição oficial
Embora Zema tenha anunciado individualmente o voto em Flávio Bolsonaro, o posicionamento formal do Novo ainda seria discutido pela legenda.
A assessoria do partido informou que a sigla deveria se manifestar oficialmente nesta terça-feira (6) sobre a posição a ser adotada no segundo turno. O apoio declarado por Zema, portanto, antecede a definição institucional do partido.
O ex-governador já havia indicado antes do primeiro turno que apoiaria o candidato que enfrentasse Lula caso não avançasse na disputa. A declaração feita no domingo antecipou a linha que seria adotada posteriormente com o anúncio explícito de voto em Flávio.
Outros candidatos ainda não declararam apoio
Entre os demais candidatos que ficaram fora do segundo turno, as posições ainda eram diferentes até a manifestação de Zema.
Renan Santos afirmou que seus eleitores deveriam escolher livremente entre as opções disponíveis na segunda etapa. O candidato, porém, indicou acreditar que Flávio Bolsonaro vencerá a eleição.
Augusto Cury, do Avante, não declarou apoio a nenhum dos dois candidatos que seguem na disputa. Ronaldo Caiado também ainda não havia anunciado uma decisão.
No caso do PSD, partido de Caiado, a orientação foi liberar os integrantes da legenda para apoiarem o candidato de sua preferência no segundo turno.
Flávio Bolsonaro também busca ampliar os apoios antes da votação de 25 de outubro. O candidato do PL tem previsão de ir a Goiânia (GO) nesta terça-feira (6) para se reunir com Ronaldo Caiado, que recebeu 2.605.148 votos e terminou o primeiro turno na quinta posição, com 2,18% dos votos válidos.
A disputa entre Flávio e Lula será definida no segundo turno, marcado para 25 de outubro. O resultado do primeiro turno deixou o candidato do PL com vantagem de 1,87 ponto percentual sobre o petista, a menor diferença entre os dois primeiros colocados em um primeiro turno presidencial desde a redemocratização.




