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ECONOMIA

Campanha de Flávio Bolsonaro quer acabar com mecanismo da reforma tributária que reduz sonegação fiscal

Coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, afirmou que eventual governo do candidato do PL pretende retirar mecanismo criado para separar automaticamente impostos nas transações

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Campanha de Flávio Bolsonaro quer acabar com mecanismo da reforma tributária que reduz sonegação fiscal
Nesta quarta-feira (7), Flávio Bolsonaro voltou a criticar a reforma tributária durante uma agenda com integrantes da Federação União Progressista. Foto: Carlos Moura / Agência Senado

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou que pretende acabar com o chamado split payment, mecanismo previsto na reforma tributária para separar automaticamente os impostos no momento em que determinadas transações são pagas. A posição foi apresentada na terça-feira (6) por Daniella Marques, coordenadora do núcleo econômico e porta-voz da campanha.

Durante entrevista ao programa ALive, apresentado pelo jornalista Claudio Dantas, Daniella foi questionada se um eventual governo de Flávio acabaria com o sistema. A resposta foi direta: “claro que sim”.

Leia também: Lula cobra que Flávio Bolsonaro diga como vai votar sobre fim da escala 6x1 no Senado

A proposta, porém, não aparece de forma expressa no plano de governo de Flávio entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O documento critica a reforma tributária aprovada pelo Congresso e propõe alterações no modelo, mas concentra as propostas na redução da alíquota do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), dos tributos sobre consumo e produção e da tributação sobre a folha de pagamento.

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O que é o split payment

O split payment, também chamado de pagamento fracionado, foi criado dentro do novo sistema tributário para fazer a separação dos impostos durante a liquidação de determinadas operações.

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Na prática, quando uma transação estiver sujeita ao mecanismo, a parcela correspondente ao IBS, destinado a estados e municípios, e à CBS, da União, é direcionada ao poder público, enquanto o restante do valor segue para a empresa responsável pela venda ou prestação do serviço.

O modelo altera o procedimento tradicional, no qual a empresa recebe o valor da operação e depois realiza o recolhimento dos tributos. A separação automática busca reduzir o espaço para que o imposto seja cobrado do consumidor, mas não seja posteriormente repassado aos cofres públicos.

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A legislação da reforma prevê a participação dos prestadores de serviços de pagamento e das instituições responsáveis pelos sistemas de pagamento na segregação e no recolhimento do IBS e da CBS.

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A Receita Federal informou que uma nova etapa de testes de integração entre os prestadores de serviços de pagamento e a Plataforma Pública do Split Payment começa em 15 de outubro de 2026. A fase ocorrerá em ambiente controlado e não terá efeito sobre operações reais ou consumidores.

Daniella Marques critica impacto no caixa das empresas

Ao defender a retirada do mecanismo, Daniella afirmou que o sistema pode reduzir a disponibilidade de recursos para as empresas, principalmente para pequenos negócios.

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“Essa daí eu vou homenagear Carlos Bolsonaro e Adolfo Sachsida, que já pautaram esse governo e foram muito vocais, foram implacáveis contra o ‘split payment’, que simplesmente asfixia o capital de giro do pequeno, que já está asfixiado”, declarou.

A ex-presidente da Caixa também explicou que, na visão da campanha, a separação automática interfere no intervalo entre o momento em que uma empresa realiza uma venda e aquele em que recebe o dinheiro.

O impacto sobre o capital de giro é um dos pontos de discussão em torno do mecanismo. Em determinadas operações, o valor correspondente aos impostos deixa de passar integralmente pela conta do fornecedor.

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Por outro lado, o novo sistema tributário prevê o aproveitamento de créditos ao longo da cadeia produtiva. Pelo modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), os tributos pagos nas etapas anteriores podem gerar créditos para as empresas, evitando a cobrança cumulativa do imposto.

Há também diferenças sobre o alcance do mecanismo. Informações técnicas citadas nos materiais sobre a reforma apontam que o split payment foi desenhado principalmente para operações entre empresas, as chamadas B2B, e não se aplica ao MEI e ao nanoempreendedor que permanecerem no Simples Nacional.

Uma das versões apresentadas sobre o cronograma indica uso opcional a partir do segundo semestre de 2027, antes da obrigatoriedade nas operações B2B em 2028. A Receita, por sua vez, já iniciou a preparação da infraestrutura, com testes técnicos previstos para outubro de 2026.

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Mecanismo busca reduzir a sonegação

A separação do tributo no momento da liquidação financeira é uma das ferramentas previstas para diminuir a possibilidade de inadimplência e sonegação dentro do novo sistema.

Em uma das explicações dadas por Daniella, ela reconheceu que o mecanismo tende a dificultar a evasão fiscal quando o pagamento ocorre por meio eletrônico.

“A evasão tende a diminuir muito porque o dinheiro já cai diretamente ali na conta do governo, estados e municípios”, afirmou. Ela acrescentou que pagamentos em dinheiro não passam pelo mesmo procedimento.

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Estimativas oficiais sobre quanto o mecanismo poderia aumentar a arrecadação não foram divulgadas. Um cálculo citado nos materiais pelo tributarista Lucas Ribeiro, fundador e CEO da empresa de tecnologia ROIT, estimou no ano passado que o sistema poderia elevar a arrecadação federal entre R$ 400 bilhões e R$ 500 bilhões por ano, valor que ele associou à dimensão estimada da sonegação.

A reforma tributária também prevê mecanismos para acelerar a utilização de créditos tributários acumulados ao longo da cadeia produtiva. A possibilidade de recuperação mais rápida desses valores é apontada como uma das características do novo modelo.

Flávio critica alíquota do novo IVA

Nesta quarta-feira (7), Flávio Bolsonaro voltou a criticar a reforma tributária durante uma agenda com integrantes da Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil.

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O candidato afirmou ser favorável à modernização do sistema, mas colocou a alíquota do novo IVA entre os principais pontos que pretende discutir.

“Óbvio que sou a favor da modernização do sistema tributário. Mas o ponto central que a gente precisa discutir é o valor do IVA. E a gente nem sabe esse número, porque, se o governo divulgar, ele perde votos. Eu quero fazer a redução da tributação sobre a folha de pagamento”, declarou.

Flávio também defende redução da tributação sobre energia elétrica, combustíveis e produtos básicos.

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O plano de governo apresentado ao TSE afirma que o IVA poderia chegar a cerca de 30%, acima da média de 19% atribuída aos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O documento também critica o número de exceções criado pela reforma e afirma que elas ultrapassariam R$ 500 bilhões.

O texto ainda aponta que os dois fundos previstos na reforma teriam custo próximo de R$ 1 trilhão, sem fonte orçamentária definida. Entre as propostas apresentadas estão a redução da alíquota do IVA, dos impostos sobre consumo e produção, das exceções tributárias e a desoneração de investimentos e exportações.


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