O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, afirmou nesta terça-feira (6) que não descarta uma conversa com os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Segundo ele, porém, um eventual diálogo deverá ocorrer somente depois do segundo turno das eleições.
A declaração foi dada após Marinho se reunir com o presidente do STF, Edson Fachin, em Brasília. O senador afirmou que a interlocução com o Judiciário é uma preocupação da campanha e que pretende aguardar o fim do processo eleitoral antes de procurar Moraes e Dino.
“Não me nego a conversar com eles”, afirmou Marinho a jornalistas. Segundo o senador, a possibilidade de diálogo seria avaliada posteriormente, depois do encerramento do processo político-eleitoral.
Marinho não descarta conversa com Moraes e Dino
Marinho afirmou que uma conversa com Moraes e Dino é possível, mas defendeu que o contato seja deixado para depois da eleição. Ele disse que, no momento, prefere não estabelecer essa interlocução por causa da disputa presidencial.
Ao comentar a atuação dos dois ministros, o senador afirmou que, na avaliação dele, há predominância de um “viés político” nas decisões de Moraes e Dino. A afirmação é uma avaliação de Marinho sobre a atuação dos magistrados e não uma conclusão independente sobre as decisões do STF.
O segundo turno da eleição presidencial está marcado para 25 de outubro e será disputado por Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Senador levou críticas da campanha a Fachin
Na reunião com Fachin, Marinho apresentou preocupações da campanha de Flávio Bolsonaro sobre a atuação do Judiciário no processo eleitoral.
O senador classificou a situação como uma “interferência continuada” de integrantes do Supremo na Justiça Eleitoral e citou nominalmente Moraes, Dino e o ministro Gilmar Mendes. As críticas foram apresentadas por Marinho como uma posição da oposição e da campanha de Flávio Bolsonaro.
Marinho também defendeu uma relação de maior equilíbrio entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Segundo ele, a campanha pretende discutir a separação entre os Poderes e os limites de atuação de cada instituição.
Coordenador de Flávio fala que “não haverá vingança”
Após o encontro com Fachin, Marinho afirmou que não haverá “vingança” contra ministros do STF em um eventual governo de Flávio Bolsonaro ou na próxima legislatura.
Ao mesmo tempo, o senador disse que o Senado não deve se omitir diante de eventuais crimes de responsabilidade cometidos por ministros da Corte. A declaração ocorreu em meio às discussões sobre pedidos de impeachment de integrantes do Supremo.
Marinho afirmou ainda que a intenção é “normalizar” a relação entre os Poderes. A possibilidade de diálogo com Moraes e Dino depois da eleição foi apresentada pelo senador dentro desse contexto.
Reunião ocorreu após o primeiro turno
O encontro entre Marinho e Fachin aconteceu dois dias depois do primeiro turno das eleições. A reunião havia sido solicitada anteriormente pelo senador, que ocupa também a liderança da oposição no Senado.
Na mesma terça-feira, Fachin recebeu a senadora Teresa Leitão (PT-PE), líder do governo Lula no Senado. As duas reuniões ocorreram separadamente e trataram de temas diferentes.
Enquanto Marinho levou ao presidente do STF as preocupações da campanha de Flávio Bolsonaro sobre a atuação do Judiciário, Teresa Leitão tratou de assuntos legislativos de interesse do governo.
Segundo turno será em 25 de outubro
O segundo turno da eleição presidencial de 2026 será realizado em 25 de outubro, conforme o calendário oficial da Justiça Eleitoral.
Flávio Bolsonaro e Lula chegaram à segunda etapa da disputa após o primeiro turno realizado em 4 de outubro. A nova votação definirá o próximo presidente da República.




