A campanha de Ciro Gomes (PSDB) acionou a Justiça Eleitoral nesta quarta-feira (14) para pedir a cassação da chapa do governador reeleito Elmano de Freitas (PT) e a realização de novas eleições para o Governo do Ceará. A iniciativa questiona decisões judiciais relacionadas à propaganda eleitoral e ao direito de resposta durante a disputa estadual de 2026.
O pedido foi anunciado pelos advogados Hélio Parente e André Xerez, representantes da campanha de Ciro. Segundo Xerez, a defesa sustenta que decisões judiciais tomadas durante o período eleitoral teriam provocado um desequilíbrio entre os candidatos. “A ação pede basicamente a cassação da chapa adversária e a realização de novas eleições”, afirmou o advogado.
A contestação tem como foco decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a veiculação de propaganda eleitoral e a concessão de direito de resposta. Na avaliação da defesa de Ciro, as medidas teriam beneficiado a candidatura de Elmano durante a campanha.
As alegações fazem parte dos argumentos apresentados pela parte autora e ainda precisam ser examinadas pela Justiça. O ajuizamento de uma ação não comprova, por si só, a ocorrência de irregularidades eleitorais nem determina a anulação do resultado das urnas.
O que Ciro Gomes questiona na Justiça?
A campanha do candidato do PSDB contesta decisões judiciais que, segundo seus representantes, interferiram nas condições de disputa entre as chapas. Entre os pontos questionados estão a concessão de direito de resposta e a veiculação de inserções de propaganda política no rádio e na televisão.
A defesa argumenta que as decisões teriam concedido vantagens à candidatura de Elmano de Freitas. Com base nessa avaliação, pede a cassação da chapa vencedora e a convocação de um novo pleito para o Executivo estadual.
O caso envolve decisões tomadas durante a campanha eleitoral, quando disputas sobre propaganda e direito de resposta foram levadas à Justiça. A defesa de Ciro sustenta que essas medidas precisam ser consideradas na análise das condições em que ocorreu a eleição.
O pedido, no entanto, não altera automaticamente o resultado oficial. Caberá à Justiça Eleitoral examinar os fundamentos jurídicos apresentados, avaliar as provas e decidir se há elementos que justifiquem as medidas solicitadas. A iniciativa também dá continuidade à contestação pública feita por Ciro após a derrota nas urnas. O candidato havia anunciado que pretendia recorrer à Justiça para questionar o resultado da eleição estadual.
Elmano foi reeleito no primeiro turno
Elmano de Freitas foi reeleito governador do Ceará no primeiro turno das Eleições 2026, realizado em 4 de outubro. De acordo com os dados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o candidato do PT recebeu 2.875.573 votos, equivalentes a 53,19% dos votos válidos.
Ciro Gomes terminou a disputa em segundo lugar, com 2.498.891 votos, o equivalente a 46,22% dos votos válidos. A diferença entre os dois candidatos foi de 376.682 votos. Como Elmano obteve mais da metade dos votos válidos, a eleição foi definida no primeiro turno, sem necessidade de uma nova votação para o governo estadual. A campanha de Ciro, porém, sustenta que decisões tomadas durante o processo eleitoral devem ser examinadas judicialmente.
Pedido de novas eleições depende de decisão judicial
A solicitação apresentada pela campanha de Ciro busca levar à Justiça os questionamentos sobre a condução da disputa eleitoral. Para que haja cassação da chapa e convocação de novas eleições, será necessário que o pedido seja analisado e que a Justiça determine as medidas cabíveis, caso reconheça fundamentos legais para isso.
Até que haja uma decisão judicial com efeitos sobre o resultado, a reeleição de Elmano permanece amparada pela totalização oficial dos votos divulgada pelo TSE. O andamento do caso dependerá das etapas processuais e das decisões tomadas pela Justiça Eleitoral. O pedido apresentado pela campanha de Ciro não significa que uma nova eleição já tenha sido determinada.




