Relatos publicados nas redes sociais mostram que a inteligência artificial (IA) da Meta, dona do Instagram, Facebook e Whatsapp, apresentou respostas diferentes a pedidos de geração de imagens políticas no WhatsApp. Em um dos testes, a ferramenta recusou uma solicitação com a inscrição “Lula 13”, mas criou uma arte com a frase “Flávio 22” após um novo pedido.
Em outra interação, a ferramenta atribuiu a recusa a um bloqueio automático do sistema de geração de imagens. Os resultados levantaram questionamentos sobre os critérios utilizados pela Meta AI durante a campanha eleitoral de 2026.
Os relatos também apontam diferenças nos resultados conforme as condições em que a ferramenta foi utilizada. Em um dos casos compartilhados, um pedido com a frase “Lula 13” teria sido atendido normalmente em uma versão do WhatsApp utilizada no Canadá.
Testes mostram respostas diferentes para Lula e Flávio Bolsonaro
Em um dos testes divulgados nas redes sociais, um pedido para gerar uma imagem com a inscrição “Lula 13” foi recusado pela Meta AI. Na sequência, uma solicitação semelhante, mas com a frase “Flávio 22”, resultou em uma arte com letras douradas sobre fundo azul-escuro.
Ao ser questionada sobre a recusa, a ferramenta atribuiu o resultado a um bloqueio automático do sistema de segurança de imagens. A resposta também indicou que filtros podem impedir determinadas criações mesmo quando pedidos semelhantes são aceitos.
Outro relato apresentou uma diferença adicional: em um teste realizado com o WhatsApp instalado em outro país, a solicitação para criar uma imagem com “Lula 13” teria sido atendida normalmente.
Meta AI não esclareceu o motivo das recusas
A explicação fornecida pela própria inteligência artificial atribuiu as negativas a um bloqueio automático. A ferramenta, no entanto, não apresentou detalhes que permitissem entender por que o pedido com a referência a Lula foi recusado enquanto a solicitação envolvendo Flávio Bolsonaro foi atendida.
A resposta automática não equivale a um posicionamento oficial da Meta sobre o funcionamento do sistema. Também não comprova que tenha ocorrido uma falha técnica específica ou uma decisão intencional de favorecer determinada candidatura.
Até que haja uma explicação técnica mais detalhada, os resultados devem ser tratados como registros de interações específicas com a ferramenta. Eles documentam as respostas observadas, mas não permitem determinar isoladamente a causa do comportamento.
Campanha de Lula já havia questionado funcionamento das plataformas da Meta
O episódio ocorre em meio a reclamações anteriores da campanha de Lula sobre o funcionamento dos serviços da Meta durante as eleições de 2026. Representantes do presidente relataram dificuldades para impulsionar publicações no Instagram e problemas relacionados a contas de anúncios e à distribuição de conteúdos.
No sábado (10), a campanha petista informou que recorreria ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) para pedir a apuração dos episódios. O grupo questionou se o funcionamento dos sistemas da empresa poderia prejudicar a divulgação de materiais eleitorais do presidente.
Em manifestação anterior sobre essas reclamações, a Meta atribuiu problemas relacionados à distribuição de conteúdos a questões técnicas e negou ter atuado para favorecer ou prejudicar candidatos. Essa resposta, porém, dizia respeito ao funcionamento das plataformas e não esclarecia especificamente as diferenças observadas nos pedidos de geração de imagens.




