O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi preso nesta sexta-feira (6), em sua residência, após ser destituído pelo Senado e se tornar alvo de uma investigação do Ministério Público sobre o escândalo financeiro envolvendo o Ueno Bank. A prisão foi cumprida por agentes da Polícia Nacional depois que os procuradores solicitaram a detenção preventiva do ex-chefe do Executivo. Com a saída de Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência do país e deverá permanecer no cargo até 2028.
A detenção representa um novo capítulo da crise política e financeira que atingiu o Paraguai e provocou a queda do presidente. Segundo informações divulgadas pelo jornal paraguaio ABC Color, a ordem de prisão também alcançou Carlos Carvallo, ex-presidente do Banco Central do Paraguai (BCP), investigado no mesmo caso.
O Ministério Público apura possíveis crimes de lesão de confiança e outras irregularidades relacionadas à crise do Ueno Bank. A investigação envolve suspeitas sobre a condução da instituição financeira, a atuação dos responsáveis pela supervisão bancária e a gestão de recursos que estavam depositados no banco.
Peña deverá permanecer em prisão domiciliar até ser colocado à disposição do Ministério Público, conforme o pedido dos procuradores. Já Carvallo deverá ficar sob custódia em instalações determinadas pelo Comando da Polícia, segundo a publicação paraguaia.
A sequência de acontecimentos ocorreu em poucas horas: o Senado aprovou o impeachment, o presidente deixou o cargo e, posteriormente, a Polícia Nacional cumpriu a ordem de prisão expedida no âmbito da investigação.
Senado aprovou impeachment de Santiago Peña por unanimidade
A destituição de Santiago Peña foi aprovada pelo Senado paraguaio nesta sexta-feira, com 44 votos favoráveis. Todas as bancadas apoiaram a decisão, que considerou o presidente responsável por mau desempenho de suas funções, hipótese prevista na Constituição do Paraguai para justificar o afastamento de um chefe do Executivo.
O resultado ocorreu em meio ao agravamento das denúncias relacionadas ao Ueno Bank. Parlamentares questionavam a atuação do governo diante dos problemas financeiros da instituição e a fiscalização realizada pelas autoridades responsáveis pelo sistema bancário.
A votação também aconteceu depois de Peña anunciar que havia apresentado sua renúncia. Em comunicado divulgado pouco antes da decisão parlamentar, ele afirmou que pretendia evitar o aprofundamento da instabilidade política.
“Apresentei minha renúncia para evitar maiores danos ao país e ajudar a restabelecer a tranquilidade no Paraguai. Não quero que minha presença cause mais divisão ou instabilidade. Minha responsabilidade é colocar o país acima do meu futuro pessoal”, declarou.
Apesar do anúncio, o Congresso deu continuidade ao processo de impeachment. A decisão de afastamento foi aprovada com o número de votos necessário para produzir efeitos imediatos.
A aprovação unânime evidencia a dimensão da crise política enfrentada pelo governo. O caso deixou de ser apenas uma discussão sobre a situação de uma instituição financeira e passou a envolver diretamente a permanência do presidente no poder.
Pedro Alliana assume Presidência do Paraguai até 2028
Com a saída de Santiago Peña, Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai. Até então vice-presidente, ele passa a responder pela chefia do Executivo em um momento de forte pressão política e econômica.
A principal tarefa do novo governo será administrar os efeitos da crise bancária e recuperar a confiança da população nas instituições públicas.
A mudança no comando do país também tem importância para os investidores e parceiros comerciais do Paraguai. A estabilidade política é um elemento relevante para a manutenção de negócios, investimentos e relações econômicas internacionais.
O Brasil acompanha os acontecimentos com atenção, já que é o maior parceiro econômico paraguaio. Uma crise prolongada pode gerar preocupações sobre o ambiente de negócios e a previsibilidade das decisões governamentais no país vizinho.
Além das questões econômicas, Alliana terá de lidar com a cobrança por transparência nas investigações e com a pressão dos correntistas que ainda aguardam a recuperação integral dos valores depositados no Ueno Bank.
A transição presidencial, portanto, não encerra os problemas que levaram à queda de Peña. O novo chefe do Executivo assume em meio a uma investigação que envolve antigos integrantes do governo e autoridades do sistema financeiro.
Crise do Ueno Bank deixou milhões de clientes sem acesso ao dinheiro
O escândalo que desencadeou a crise política teve origem nos problemas financeiros enfrentados pelo Ueno Bank.
A instituição sofreu intervenção do Banco Central paraguaio após apresentar dificuldades relacionadas à solvência. A situação comprometeu o acesso de milhões de clientes aos próprios recursos e provocou manifestações populares em diferentes momentos da crise.
Para muitos correntistas, o bloqueio das contas representou uma dificuldade imediata para pagar despesas e manter compromissos financeiros. A situação também atingiu aposentados e pessoas que dependiam dos valores depositados na instituição.
Os protestos ganharam força diante da cobrança por respostas das autoridades e pela liberação mais rápida das economias retidas.
A crise ganhou dimensão nacional porque passou a envolver questionamentos sobre a fiscalização bancária e a destinação de recursos públicos depositados na instituição financeira.
Parlamentares também levantaram suspeitas sobre possíveis conflitos de interesse e a condução das medidas adotadas para enfrentar os problemas do banco.
A repercussão ultrapassou o sistema financeiro. A pressão popular e política acabou atingindo diretamente a Presidência da República, tornando a permanência de Peña no cargo cada vez mais difícil.
Ministério Público investiga ex-presidente e antigo chefe do Banco Central
A investigação que levou ao pedido de prisão de Santiago Peña também envolve Carlos Carvallo, que ocupou a presidência do Banco Central do Paraguai.
O pedido foi encaminhado ao Juízo de Garantias por quatro procuradores vinculados a unidades especializadas em Crimes Econômicos e Anticorrupção e em Crimes Informáticos.
Os investigadores solicitaram o cumprimento de uma ordem de prisão emitida na sexta-feira contra os dois ex-dirigentes.
A apuração envolve suspeitas de lesão de confiança e outros delitos. O objetivo é esclarecer eventuais responsabilidades relacionadas à crise financeira e à atuação das autoridades que tinham participação na supervisão da instituição.
A presença de um ex-presidente da República e de um antigo dirigente do Banco Central entre os investigados aumenta a dimensão institucional do caso.
A investigação deverá esclarecer quais decisões foram tomadas, quem participou delas e se houve irregularidades na condução dos recursos e na fiscalização bancária.
É importante destacar que a prisão e a abertura de uma investigação não representam condenação definitiva. A responsabilidade criminal dos investigados dependerá da análise das provas e das decisões da Justiça paraguaia.
Prisão de Santiago Peña amplia repercussão internacional da crise
A queda de Peña, seguida pelo pedido de prisão e pela posse de Pedro Alliana, coloca o Paraguai diante de um período de transição política em meio a uma crise de confiança.
O caso tem repercussões que vão além das fronteiras paraguaias. A economia do país mantém relações comerciais importantes com o Brasil, especialmente em áreas ligadas ao comércio, aos investimentos e à integração regional.
A preocupação dos mercados está relacionada à possibilidade de que a instabilidade política prejudique a confiança nas instituições e provoque incertezas sobre a condução da economia.
O novo governo terá de demonstrar capacidade de garantir a continuidade administrativa, acompanhar a solução dos problemas bancários e permitir que as investigações avancem.
Para os clientes prejudicados pelo Ueno Bank, a prioridade continua sendo recuperar o dinheiro retido. Para a população paraguaia, a crise também deixou uma cobrança por esclarecimentos sobre a atuação dos responsáveis pela fiscalização financeira.
A prisão de Santiago Peña transforma o escândalo bancário em um dos episódios políticos mais graves da história recente do Paraguai. Mesmo com a mudança na Presidência, as consequências econômicas, jurídicas e institucionais do caso ainda deverão se estender pelos próximos meses.




