O número de casos de Covid-19 voltou a apresentar tendência de crescimento no Brasil. A alta foi identificada em 19 estados das cinco regiões do país e já dura seis semanas, com registros em todas as faixas etárias. Também existem sinais de aumento das hospitalizações provocadas pelo coronavírus, embora os indicadores nacionais ainda apontem baixo risco de agravamento da doença.
O cenário foi detalhado em um boletim da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com informações do Ministério da Saúde e dados referentes a diferentes períodos de monitoramento. O levantamento também identificou aumento de casos graves de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em estados brasileiros e avanço de outros vírus respiratórios, como metapneumovírus e rinovírus.
Apesar da circulação mais intensa do coronavírus, a Fiocruz destaca que a incidência de casos graves permanece baixa. O Ministério da Saúde também classifica como baixo o risco da doença em todas as unidades da Federação.
Os registros laboratoriais acompanham a tendência. Exames realizados por laboratórios privados apresentam nove semanas consecutivas de aumento na taxa de positividade para o coronavírus, indicador que mostra a proporção de testes com resultado positivo.
Casos graves de Covid-19 e outros vírus respiratórios avançam
O boletim InfoGripe analisou dados da semana epidemiológica de 25 a 31 de outubro e identificou sinais de crescimento da SRAG provocada pela Covid-19 em diferentes estados. Em Mato Grosso, o coronavírus aparece como o principal responsável pelo aumento das ocorrências de SRAG. Apesar dos sinais de crescimento, a Fiocruz ressalta que a incidência de casos graves permanece em patamares muito baixos.
O monitoramento também apontou avanço do metapneumovírus, principalmente em estados das regiões Sudeste, Sul e Nordeste. São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná, Bahia, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Sergipe estão entre as unidades da Federação com aumento de registros.
O rinovírus também tem participação expressiva nas infecções respiratórias. Nas quatro semanas analisadas, ele respondeu por 50,1% dos resultados positivos para vírus respiratórios. O Sars-CoV-2, causador da Covid-19, apareceu em seguida, com 8,5%.
Entre os óbitos com identificação de vírus nas amostras, o coronavírus correspondeu a 24,1% dos resultados positivos no mesmo período.
Desde o início de 2026, foram notificados 171.369 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave no país. Desse total, 53,3% tiveram resultado positivo para algum vírus respiratório, enquanto 36,7% apresentaram resultado negativo. Outros 4,4% ainda aguardavam os resultados dos exames laboratoriais.
O levantamento também identificou duas capitais com atividade de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco e tendência de crescimento no longo prazo: Aracaju, em Sergipe, e João Pessoa, na Paraíba.
Crianças pequenas e idosos exigem atenção
Os dados do InfoGripe mostram diferenças na incidência e na mortalidade por SRAG conforme a faixa etária. Entre crianças com até dois anos, a ocorrência de casos graves é mais elevada. Nessa população, os principais vírus identificados são rinovírus, vírus sincicial respiratório (VSR) e metapneumovírus.
O rinovírus também aparece como o principal responsável pelos óbitos entre crianças dessa idade. Já a mortalidade por SRAG é mais expressiva entre pessoas com 65 anos ou mais.
Esses indicadores abrangem diferentes vírus respiratórios e não se referem exclusivamente à Covid-19. Ainda assim, ajudam a identificar os grupos que precisam de maior atenção durante períodos de aumento das infecções.
Idosos, gestantes, crianças pequenas, pessoas imunocomprometidas e pacientes com doenças crônicas estão entre os grupos mais vulneráveis a complicações provocadas pelo coronavírus. As recomendações são as mesmas do período da pandemia de 2020 e 2021.
O que se sabe sobre as variantes do coronavírus
O Ministério da Saúde acompanha as linhagens do Sars-CoV-2 por meio do sequenciamento genético de amostras coletadas de pacientes. Em 2026, até a semana epidemiológica 42, foram registrados 2.199 sequenciamentos na plataforma internacional Gisaid.
As análises identificaram 127 linhagens diferentes do coronavírus. Cerca de 90% das amostras sequenciadas pertenciam à linhagem XFG ou a descendentes dela.
A predominância de uma linhagem, porém, não significa que ela seja responsável pelo aumento das infecções ou que provoque sintomas mais graves. Segundo Neubauer, as variantes identificadas não apresentam, a princípio, maior capacidade de transmissão.
O acompanhamento genético permite observar quais linhagens estão circulando e identificar possíveis mudanças no comportamento do vírus. Até o momento, os dados apresentados não apontam uma variante responsável por uma elevação da gravidade dos quadros.
Quem deve redobrar os cuidados contra a Covid-19
Pessoas com maior risco de desenvolver complicações precisam manter atenção às medidas de prevenção, especialmente em períodos de aumento da circulação do coronavírus e de outros agentes respiratórios.
Entre as recomendações estão o uso de máscaras em ambientes com maior possibilidade de exposição, a higienização frequente das mãos e a redução do contato com pessoas que apresentem sintomas respiratórios.
Quem estiver com sintomas também deve evitar proximidade com idosos, gestantes, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas. Sempre que possível, a orientação é manter o isolamento para reduzir o risco de transmissão.
A vacinação continua sendo a principal medida para prevenir casos graves e mortes por Covid-19. O Calendário Nacional de Vacinação prevê recomendações específicas conforme a idade e as condições de saúde de cada pessoa.
Idosos a partir de 60 anos têm indicação de doses semestrais. Gestantes devem receber uma dose a cada gravidez, enquanto crianças pequenas seguem esquemas de duas ou três doses, conforme o imunizante utilizado. Pessoas imunocomprometidas e outros grupos prioritários, incluindo indivíduos com determinadas comorbidades, também possuem orientações próprias.
Neubauer recomenda que quem recebeu as primeiras doses há alguns anos verifique se precisa atualizar a proteção. A vacinação contra a Covid-19 passou a seguir recomendações periódicas, de forma semelhante ao que ocorre com a imunização contra a gripe, com atenção especial às pessoas mais vulneráveis.




