O prefeito de Fortaleza, José Sarto, assinou um contrato com o Centro Regional Integrado de Oncologia (Crio) para ampliar os recursos dedicados ao tratamento do câncer na capital cearense. A parceria, formalizada nesta segunda-feira (30), trará um aporte anual de R$ 3,6 milhões para a instituição.
Com a adição desse financiamento aos recursos já destinados pela Prefeitura ao Crio, o montante totaliza mais de R$ 33 milhões por ano. Esses fundos, provenientes dos recursos disponíveis para o Sistema Único de Saúde (SUS) do município, fortalecerão significativamente o processo terapêutico do câncer e, assim, impactarão positivamente a vida da população.
O tratamento oncológico é uma necessidade para muitos pacientes em Fortaleza, e a expansão deste financiamento se traduzirá em um tratamento mais acessível e eficaz para quem enfrenta essa doença desafiadora. Além disso, a Prefeitura proporcionará radioterapia para 852 pacientes adicionais anualmente, estendendo o alcance do tratamento. Nos primeiros oito meses de 2023, a Prefeitura já subsidiou 1.664 sessões de radioterapia e 25.504 de quimioterapia somente no Crio, evidenciando seu compromisso com a saúde oncológica.
O financiamento adicional, que inclui mais sessões de radioterapia, é uma etapa fundamental na luta contra o câncer na cidade. Com esse aporte, Fortaleza estabelece sua posição como um importante centro de tratamento oncológico no estado do Ceará, beneficiando tanto os moradores locais quanto os pacientes que viajam do interior.
Recursos Financeiros para Enfrentar o Câncer
Segundo a Prefeitura, o aumento do recurso aplicado pela Prefeitura de Fortaleza na oncologia amplia a oportunidade dos pacientes cearenses que buscam a capital de iniciarem seu tratamento em tempo hábil, incluindo radioterapia, uma das principais demandas desta enfermidade.
Antes do aporte, a Prefeitura contratualizava com o Crio o tratamento de radioterapia para 2.532 pacientes, por ano; agora, serão 3.384, um acréscimo de 852 novos usuários. No que se refere ao trabalho em execução, entre os meses de janeiro e agosto deste ano, a Prefeitura custeou a realização, somente no Crio, de 1.664 sessões de radioterapia e 25.504 de quimioterapia.
Dados sobre o Câncer em Fortaleza
Conforme o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a estimativa é de 6.550 novos casos de câncer ao longo deste ano em Fortaleza, além dos casos de câncer de pele não-melanoma. A radioterapia é uma parte essencial do tratamento de muitos desses casos. Para atender a essa demanda, seriam necessários 3.275 tratamentos radioterápicos em média por ano. A Prefeitura custeia 6.372 sessões anualmente, o que garante que os pacientes tenham um acesso adequado ao tratamento necessário.
Nesse cenário, o aporte financeiro adicional é uma notícia bem-vinda para aqueles que enfrentam o câncer em Fortaleza. Além de garantir um maior número de sessões de radioterapia, esse financiamento permitirá que mais pacientes iniciem seu tratamento rapidamente. Isso é particularmente crucial no combate ao câncer, onde o tempo é muitas vezes um fator crítico na eficácia do tratamento.
A Prefeitura de Fortaleza, juntamente com sua parceria com o Crio, destaca o compromisso da cidade em fornecer assistência médica de qualidade, acessível e eficaz para seus cidadãos. Essa parceria não só demonstra o empenho em enfrentar o câncer, mas também reforça a esperança e a resiliência daqueles que enfrentam essa doença desafiadora.
Ceará tem 4ª maior incidência de câncer de mama no Brasil
Um levantamento do Instituto Nacional de Câncer (Inca) aponta que o Ceará figura entre os quatro estados com maiores incidências de câncer de mama no Brasil: o estado registra uma taxa de 54,1 casos a cada 100 mil habitantes, atrás apenas de Santa Catarina (74,8), Rio de Janeiro (70,5) e São Paulo (56,3). Os dados são referentes ao ano de 2022.
Ainda conforme o estudo, a taxa nacional de incidência é de 41,8 casos anuais a cada 100 mil habitantes. Se Santa Catarina fica na dianteira, o estado que apresenta a menor incidência, referente ao período, é o Amapá (20,0). A região com maior incidência é o Sudeste (52,8), seguido pelo Centro-Oeste (47,3), Nordeste (42,1), Sul (41,0) e, por último, a região Norte (27,7).
Os diferentes níveis de incidência podem ser explicados por diferentes fatores. Segundo Igor Veras, médico radioterapeuta do Centro Regional Integrado de Oncologia (Crio), o aumento da incidência da doença está ligado a fatores comuns em todos os estados do Brasil, que muitas vezes têm relação com mudanças no estilo de vida ao longo dos anos.
Ele conta, por exemplo, que hoje em dia as mulheres optam por ter a gestação em uma idade mais tardia, o que pode aumentar a probabilidade de ter câncer de mama. A diminuição da prole, com as mulheres tendo menos filhos hoje em dia, também contribui. Cabe destaque ainda ao tabagismo e ao consumo de álcool, mas principalmente a obesidade, apontada como um dos principais fatores de risco.
Luiz Porto, coordenador do Comitê Estadual de Controle de Câncer do Ceará, comenta que deve-se levar em conta ainda o aumento da expectativa de vida da população, uma vez que o câncer é uma doença do envelhecimento. Ele observa que o Sudeste estar no topo do ranking de incidência tem, em parte, relação com esse aspecto. “O Ceará tem tido um ganho de expectativa de vida nos últimos 75 anos muito significativo, então à medida que a população vai envelhecendo, vai tendo mais chance de ter câncer de mama”, explica.
Nos aspectos culturais, as mulheres têm participado de modo mais ativo do mercado de trabalho do que algumas décadas atrás, o que faz com que a amamentação também acabe ficando mais difícil. A diminuição da lactação também é considerado um fator que contribui para o desenvolvimento desse câncer.




