O Brasil registrou, em 2023, um total de 1,43 milhão de óbitos, marcando uma redução de 75,2 mil mortes em comparação com o ano anterior. O dado representa uma queda de 5% nos registros de mortalidade e consolida o segundo ano consecutivo de recuo, após a redução de 15,8% observada em 2022. A informação consta na pesquisa Estatísticas do Registro Civil, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Grande parte dessa redução está associada ao arrefecimento da pandemia de Covid-19. De acordo com o IBGE, houve uma diminuição de 55,7 mil mortes classificadas como causadas por “doenças por vírus de localização não especificada”, categoria que inclui a Covid-19. Os dados são baseados em registros de cartórios e no Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde.
No Ceará, a tendência de queda também se confirmou. Em 2023, o estado contabilizou 57.948 mortes, cerca de 4 mil a menos do que em 2022. Mais da metade dos óbitos (54,4%) ocorreu entre pessoas com 70 anos ou mais, totalizando 31.503 registros. Nessa faixa etária, os óbitos femininos predominaram.
Em nível nacional, a maioria das mortes – mais de 90% – foi causada por fatores naturais, como doenças e condições de saúde. Apenas 7% dos óbitos resultaram de causas externas, como acidentes, homicídios, quedas, suicídios ou afogamentos.
A análise de gênero revelou um desequilíbrio expressivo entre as mortes por causas não naturais. A cada 100 mulheres que morreram nessas circunstâncias, houve, em média, 499 mortes masculinas. Na faixa etária entre 20 e 24 anos, a disparidade é ainda mais acentuada: foram registrados 872 óbitos de homens para cada 100 de mulheres.
Os dados evidenciam um cenário pós-pandêmico de queda geral na mortalidade, mas também ressaltam a persistência de vulnerabilidades específicas, como a violência entre jovens do sexo masculino e o envelhecimento da população, especialmente no Nordeste.




