O governo de Israel anunciou, nesta quinta-feira (2), que deportará para a Europa todos os ativistas pró-Palestina que participavam da flotilha Global Sumud, entre eles a deputada federal cearense Luizianne Lins (PT) e a ativista sueca Greta Thunberg. A informação foi confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores israelense em publicação no X (antigo Twitter): “Todos os passageiros estão seguros e com boa saúde. Eles estão a caminho de Israel, de onde serão deportados para a Europa”.
A flotilha, composta por mais de 40 embarcações e integrada por mais de 500 voluntários de diversas nacionalidades, foi interceptada pela Marinha israelense na terça-feira (1º), no Mar Mediterrâneo, quando seguia em direção à Faixa de Gaza com o objetivo de entregar alimentos e medicamentos. Segundo os organizadores, a missão humanitária foi pacífica e legal, mas Israel afirmou que nenhuma das embarcações conseguiu furar o bloqueio naval imposto à região.
O Itamaraty reagiu em nota, condenando a ação militar. “O governo brasileiro deplora a ação militar do governo de Israel, que viola direitos e põe em risco a integridade física de manifestantes em ação pacífica”, declarou o Ministério das Relações Exteriores.
Repercussão no Ceará
A interceptação da embarcação que transportava Luizianne Lins mobilizou rapidamente parlamentares cearenses. O deputado estadual Júlio César Filho (PT) destacou o caráter humanitário da missão. “Expresso toda a minha solidariedade à deputada Luizianne e aos voluntários(as) neste momento difícil. Que a esperança e a luta pela paz sejam sempre o nosso caminho”, afirmou.
O deputado federal José Guimarães (PT) afirmou que acompanha os desdobramentos de perto. “O governador Elmano de Freitas acionou o Governo Federal que também acompanha o caso. Toda força e solidariedade a essa corajosa companheira”, declarou em publicação nas redes sociais.
A deputada estadual Larissa Gaspar (PT) classificou a operação israelense como sequestro. “A embarcação onde se encontrava nossa companheira deputada federal Luizianne Lins foi sequestrada pelo Estado de Israel!”, escreveu. Ela também fez um apelo: “Fazemos um apelo ao nosso governo para que tomem as providências necessárias para garantir um resgate e retorno seguros para Luizianne e todos e todas que se encontram na Flotilha! Parem o genocídio em Gaza! Deixem a ajuda passar!”.
O deputado federal Domingos Neto (PSD), coordenador da bancada cearense, disse ter acionado o Itamaraty e mantido contato com autoridades brasileiras. “Estamos trabalhando para que o mais breve possível possamos ter noção do paradeiro da Dra. Luizianne Lins. Estou pessoalmente dedicado a garantir a segurança da deputada”, afirmou. Segundo ele, Luizianne não mantém contato com a equipe desde o fim da tarde de quarta-feira (1º).
Contexto da missão
De acordo com os organizadores, 17 brasileiros integravam a Global Sumud, entre eles médicos, ativistas e representantes de movimentos sociais. A parlamentar cearense fazia parte da chamada “Flotilha da Liberdade”, que pretendia simbolicamente romper o bloqueio a Gaza e entregar ajuda humanitária à população palestina. Até as 20h30 de quarta-feira, pelo menos 178 ativistas tinham sido detidos, incluindo Greta Thunberg.
Organizações internacionais, como a Anistia Internacional Brasil, classificaram a ação de Israel como ilegal. “Nenhuma regra do direito internacional autoriza ataques a embarcações em livre navegação em águas internacionais. A missão da flotilha é pacífica, humanitária e legal”, destacou a entidade, cobrando garantias de segurança para os voluntários.
Enquanto isso, em São Paulo, familiares e ativistas realizaram uma vigília no espaço cultural Al Janiah, fundado por refugiados palestinos, pedindo o retorno seguro dos detidos e defendendo medidas mais duras contra Israel, incluindo rompimento de relações comerciais e pressão internacional.
O Itamaraty, segundo parlamentares cearenses, já acompanha o caso junto às autoridades israelenses. A expectativa é que o governo brasileiro use todos os canais diplomáticos para garantir a integridade física dos ativistas e viabilizar a libertação imediata.




