A confirmação de que o surto de hantavírus em um cruzeiro no Atlântico foi causado pela cepa Andes disparou o nível de alerta entre cientistas e agências de saúde no mundo todo. Diferente de outras variantes do vírus, essa cepa não depende apenas de roedores para circular: é a única, entre cerca de 38 conhecidas, em que já foi documentada transmissão de pessoa para pessoa, o que a torna incomum e potencialmente mais perigosa em contextos de grande aglomeração, como aviões e navios.
O que há de diferente na cepa
O hantavirus Andes, também chamado de “vírus dos Andes”, circula principalmente na Argentina e no Chile e costuma provocar a síndrome pulmonar por hantavírus, forma grave com alta taxa de mortalidade. Especialistas citados por veículos internacionais destacam que essa variante é considerada mais agressiva, com quadros clínicos mais intensos e potencial para complicações respiratórias e hemorrágicas.
O que mais intriga a comunidade científica é que, em 1996, já havia sido descrito um primeiro caso de transmissão humana desse vírus, também na Argentina, o que levou pesquisadores a monitorar de perto surtos posteriores, como o do cruzeiro MV Hondius.
Transmissão entre humanos e risco epidemiológico na cepa Andes do hantavírus
A Organização Mundial da Saúde e autoridades da África do Sul confirmaram que as amostras do navio correspondem à cepa Andes e que a variante é a única do grupo dos hantavírus com transmissão de pessoa para pessoa devidamente documentada. No entanto, infectologistas e epidemiologistas sublinham que essa transmissão é considerada rara, ocorrendo sobretudo em situações de contato próximo e prolongado com doentes em estágio avançado da doença, como em ambientes hospitalares ou residências.
Apesar disso, o fato de um cruzeiro com centenas de passageiros já ter registrado ao menos três mortes e dezenas de casos suspeitos despertou preocupação: cientistas investigam se os primeiros casos tiveram origem em roedores a bordo ou se houve efetivamente transmissão entre passageiros, o que poderia indicar modos de circulação ainda pouco conhecidos.
Por que a letalidade da Andes assusta especialistas
Além da capacidade rara de saltar de roedores para humanos e eventualmente entre humanos, a cepa Andes preocupa pela sua gravidade. Estudos e balanços citados em matérias recentes apontam que a taxa de mortalidade na forma pulmonar pode chegar próximo de 30% a 40% entre os casos sintomáticos, bem acima da média de muitas doenças infecciosas respiratórias comuns.
Essa combinação (vírus raro, letalidade elevada e um único tipo dentro do grupo capaz de transmissão entre pessoas) faz com que cientistas e organismos de saúde reforcem a vigilância, ampliem a investigação de possíveis focos e intensifiquem a atenção a quadros de febre, dor intensa no corpo e falta de ar, sobretudo em quem teve contato com áreas endêmicas ou com pessoas gravemente doentes.
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