O hantavírus voltou às manchetes mundiais após um surto ligado a um cruzeiro no Atlântico, com mortes e casos suspeitos em europeus que viajavam da América do Sul para a África, com sintomas que podem ser confundidos com os de uma gripe. No Brasil, a doença causada por esse grupo de vírus, conhecida como hantavirose, já é monitorada há anos e se caracteriza por quadro respiratório grave, com letalidade em torno de 40% dos casos, segundo dados recentes.
O que é o hantavírus?
O termo “hantavírus” designa um conjunto de vírus do gênero Orthohantavirus, transmitidos principalmente por roedores silvestres e capazes de causar duas grandes formas clínicas: a síndrome pulmonar por hantavírus nas Américas e a febre hemorrágica com síndrome renal na Europa e na Ásia. Nas Américas, a forma mais comum é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), doença aguda que ataca pulmões e, em casos graves, coração.
No Brasil, a hantavirose é considerada doença rara, porém de notificação imediata, com maior concentração de casos em áreas rurais e regiões de agricultura, onde o contato com roedores é mais frequente.
Sintomas do Hantavírus
Os sintomas do Hantavírus costumam surgir entre 1 e 6 semanas após a exposição, começando de forma semelhante a uma gripe forte: febre, mal‑estar, dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, dor lombar e abdominal, além de náusea, vômitos e outros sinais gastrointestinais.
Em alguns dias, a doença pode evoluir para a fase cardiopulmonar, caracterizada por febre persistente, falta de ar, respiração acelerada, tosse seca, pressão baixa, batimentos cardíacos acelerados e acúmulo de líquido nos pulmões, podendo levar a insuficiência respiratória aguda e choque se o atendimento não for rápido.
Modos de transmissão
O principal modo de transmissão ocorre por inalação de partículas de fezes, urina e saliva de roedores silvestres infectados, especialmente quando essas secreções são pulverizadas no ar ao varrer, limpar ou mexer em locais fechados e sujos. Também é possível se contaminar ao tocar secreções infectadas e depois levar as mãos aos olhos, nariz ou boca, ou em acidentes com escoriações cutâneas ou mordeduras de roedores.
Em casos raros, determinadas cepas, como o hantavírus Andes descrito na Argentina e no Chile, já mostraram transmissão direta de pessoa para pessoa, sempre em situações muito próximas, como cuidados intensivos ou convivência doméstica com doentes graves.
Taxa de mortalidade e gravidade do Hantavírus no mundo
A hantavirose é considerada doença potencialmente grave, com alta taxa de letalidade. Em âmbito nacional, entre 2013 e 2023 foram registrados 758 casos confirmados e 299 óbitos, o que corresponde a uma taxa de letalidade de cerca de 39,4%, segundo boletim do Ministério da Saúde. Em outros contextos, a síndrome pulmonar por hantavírus pode levar à morte em cerca de 35% a 50% dos casos, variando conforme a cepa e o estado de saúde do paciente.
Por isso, autoridades sanitárias e especialistas reforçam que sintomas respiratórios intensos após febre e dor no corpo, sobretudo em quem vive ou trabalha em área rural ou com presença de roedores, devem ser encaminhados imediatamente a um serviço de saúde, pois o início precoce do suporte hospitalar é essencial para reduzir o risco de complicações fatais.
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