O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou neste sábado (23) pela manutenção das prisões de Henrique Vorcaro e Felipe Cançado Vorcaro, pai e primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A manifestação ocorreu após o ministro Gilmar Mendes pedir vista do processo, suspendendo temporariamente a conclusão do julgamento na Segunda Turma da Corte.
Com o posicionamento de Fux, o Supremo soma agora dois votos favoráveis à manutenção das prisões preventivas. O relator do caso, ministro André Mendonça, já havia se manifestado no mesmo sentido anteriormente.
Henrique Vorcaro e Felipe Cançado Vorcaro foram presos no último dia 14 de maio durante a sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal.
Luiz Fux acompanha relator no STF
O julgamento ocorre em plenário virtual da Segunda Turma do STF, modelo em que os ministros depositam os votos eletronicamente dentro do prazo estabelecido pela Corte.
Mesmo após o pedido de vista de Gilmar Mendes — mecanismo que interrompe temporariamente a análise para permitir mais tempo de avaliação — Luiz Fux decidiu antecipar seu voto e seguir o entendimento do relator.
Até o momento, o placar está em 2 votos a 0 pela continuidade das prisões.
O ministro Dias Toffoli se declarou suspeito para atuar no caso e, por isso, não participa do julgamento. Ainda faltam os votos de Gilmar Mendes e Nunes Marques.
Operação Compliance Zero investiga grupos suspeitos
Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Federal, Henrique Vorcaro e Felipe Cançado Vorcaro seriam integrantes de grupos conhecidos como “Os Meninos” e “A Turma”.
De acordo com os investigadores, os grupos atuavam na obtenção de dados sigilosos de desafetos e na articulação de ameaças contra alvos monitorados pelo esquema.
A Operação Compliance Zero apura uma série de crimes relacionados à violação de informações reservadas e à possível utilização de estruturas clandestinas para monitoramento e intimidação de pessoas.
A PF ainda não divulgou detalhes adicionais sobre a totalidade dos investigados nem sobre o alcance completo das atividades atribuídas aos grupos.
Investigação aponta atuação financeira no esquema
As apurações também indicam que Henrique Vorcaro teria desempenhado papel estratégico dentro da estrutura investigada.
Segundo a investigação, ele seria responsável por operar financeiramente pagamentos destinados a integrantes do grupo “A Turma”. Além disso, a Polícia Federal aponta que o investigado também figurava entre os beneficiários do suposto esquema criminoso.
As informações reunidas no inquérito embasaram os pedidos de prisão preventiva autorizados pela Justiça.
Até o momento, a defesa dos investigados não teve posicionamento divulgado oficialmente sobre os votos apresentados no STF.
Julgamento segue em plenário virtual no Supremo
O caso segue em análise na Segunda Turma do STF e ainda depende da manifestação dos ministros que não votaram.
O pedido de vista apresentado por Gilmar Mendes suspende temporariamente a conclusão do julgamento, sem prazo imediato para retomada definitiva da análise.
A decisão final do colegiado definirá se Henrique Vorcaro e Felipe Cançado Vorcaro continuarão presos preventivamente durante o andamento das investigações da Operação Compliance Zero.
O julgamento ocorre em meio ao avanço de investigações da Polícia Federal envolvendo suspeitas de uso ilegal de informações sigilosas e possíveis estruturas paralelas de monitoramento e intimidação.




