O fim da escala 6x1 no Ceará pode impactar diretamente mais de 254 mil trabalhadores formais, segundo levantamento divulgado pelo Governo Federal nesta segunda-feira (25). Os dados consideram profissionais que atualmente trabalham seis dias por semana com apenas um dia de descanso e fazem parte das discussões nacionais sobre a redução da jornada de trabalho sem diminuição salarial.
As informações foram elaboradas com base em dados do Ministério do Trabalho e Emprego. Segundo o levantamento, 254.752 trabalhadores cearenses ainda atuam no modelo 6x1, enquanto 984.634 já estão inseridos em jornadas consideradas mais equilibradas, como a escala 5x2.
O número coloca o Ceará como o 12º estado com maior quantidade de trabalhadores nessa condição no país e o terceiro do Nordeste, atrás apenas de Bahia e Pernambuco.
Ceará é o 3º estado do Nordeste com mais trabalhadores na escala 6x1
O levantamento mostra que o debate sobre a redução da jornada de trabalho possui impacto significativo no Nordeste. Segundo os dados divulgados pelo Governo Federal, quase 2 milhões de trabalhadores da região seriam diretamente beneficiados caso o modelo 6x1 deixe de existir.
Em nível nacional, o cálculo aponta que aproximadamente 14,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada atuam atualmente nessa jornada, o equivalente a cerca de um terço dos 44,7 milhões de empregos formais existentes no país.
São Paulo lidera o ranking nacional, com 4,2 milhões de trabalhadores na escala 6x1. Em seguida aparecem Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina.
No Nordeste, a Bahia concentra o maior número de trabalhadores nessa condição, com 596,5 mil pessoas. Pernambuco aparece em seguida, com 382,6 mil, enquanto o Ceará ocupa a terceira posição regional.
Governo Federal quer reduzir jornada de trabalho até 2026
A redução da jornada de trabalho integra as metas do Governo Federal para 2026. A proposta em debate prevê alterações nas regras trabalhistas sem redução salarial para os empregados.
Além de projetos apresentados pelo Executivo, propostas de emenda à Constituição também tramitam no Congresso Nacional tratando da mudança. Um dos principais pontos discutidos atualmente envolve a transição gradual entre os modelos 6x1 e 5x2.
O debate ganhou força após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante pronunciamento realizado no Dia do Trabalhador, em 1º de maio. Na ocasião, Lula afirmou que as atuais relações de trabalho precisam acompanhar as transformações tecnológicas e sociais das últimas décadas.
Segundo o Governo Federal, a proposta pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, especialmente daqueles que enfrentam jornadas extensas e dificuldades para conciliar rotina profissional, descanso e convivência familiar.
Debate sobre fim da escala 6x1 divide trabalhadores e empresários
A possível mudança na legislação trabalhista também provoca reações diferentes entre representantes dos trabalhadores e setores empresariais.
Centrais sindicais defendem que a redução da jornada pode trazer benefícios ligados à saúde física e mental, além de ampliar o tempo de descanso e convivência familiar.
Por outro lado, representantes do setor produtivo avaliam que a alteração pode aumentar custos operacionais, principalmente em segmentos que dependem de funcionamento contínuo e grande número de funcionários em turnos.
O debate econômico também envolve possíveis impactos sobre produtividade, geração de empregos e reorganização das escalas em diferentes setores da economia.
Comércio, indústria e logística devem sentir maior impacto
Segundo o Governo Federal, áreas como comércio, serviços, indústria e logística estão entre os setores que devem sentir maior impacto caso a mudança avance.
No Ceará, esses segmentos possuem forte presença tanto na Região Metropolitana de Fortaleza quanto em polos industriais e comerciais do interior do estado.
Especialistas avaliam que uma eventual alteração na legislação exigirá adaptação gradual das empresas, principalmente em atividades que operam durante finais de semana, feriados e jornadas contínuas.
Enquanto o tema segue em discussão no Congresso Nacional, trabalhadores e empregadores acompanham os próximos desdobramentos da proposta, considerada uma das principais discussões recentes sobre relações de trabalho no Brasil.




