O general da reserva Guilherme Theophilo afirmou que não pretende atuar politicamente por meio do que chamou de “compra de lideranças” no Ceará. Pré-candidato ao Senado pelo Partido Novo, ele declarou que busca apoio com base na apresentação de propostas "para resolver problemas enfrentados pela população", principalmente no interior do estado.
A declaração foi dada durante entrevista ao podcast Café com Verdade, apresentado pela jornalista Fernanda de Castro. Segundo Theophilo, durante visitas a municípios cearenses, ele é questionado sobre quais lideranças apoiam sua candidatura e se existe algum tipo de pagamento envolvido.
“Nos falta uma coisa que eu jamais faria, que é recursos para comprar lideranças na capital e no interior do estado. Nós não trabalhamos assim”, afirmou.
O general disse que pretende apresentar projetos como forma de conquistar apoio político. Entre as propostas citadas estão ações voltadas para segurança hídrica e infraestrutura no interior.
“Quando a gente chega no interior, a pessoa pergunta: quem são as suas lideranças? Eu digo: é o professor ali, o Zé Maria, é o fulano, é o cicrano. ‘Mas o senhor vai pagar quanto?’ Eu digo: nada. Eu não vou lhe dar um tostão, eu vou mostrar aqui projetos para solucionar os problemas que o nosso interior tem”, declarou.
Entre os problemas citados por Theophilo estão a falta de água, a conclusão do Cinturão das Águas, a construção de açudes, cisternas e banheiros em residências que ainda não possuem estrutura adequada.
Theophilo diz que educação deve ser parte da estratégia contra o crime
Durante a entrevista, o general também falou sobre segurança pública e afirmou ser contrário a uma intervenção federal do Exército ou das Forças Armadas para combater facções criminosas no Ceará.
Segundo ele, operações desse tipo podem reduzir os índices de violência em um primeiro momento, mas não representam uma solução definitiva.
“Por isso que eu sou contra a intervenção federal do Exército ou das Forças Armadas, porque eu tive várias intervenções no Morro da Maré, no Complexo do Alemão, da Penha, tudo no Rio de Janeiro. Quando sai, volta pior”, afirmou.
Theophilo disse que uma ação emergencial poderia ser utilizada para reduzir a violência e permitir que os órgãos públicos retomem suas atividades com mais segurança.
Ele citou dificuldades enfrentadas por profissionais de saúde em áreas dominadas por grupos criminosos e defendeu investimentos em educação como uma medida de longo prazo.
“Aí sim: nós vamos entrar na ponta principal, que é educação. Porque a massa de manobra do crime é a população”, declarou.
General afirma que Ceará vive avanço do tráfico internacional
Na entrevista, Guilherme Theophilo também afirmou que o Ceará enfrenta uma expansão do tráfico internacional de drogas e classificou o Estado como um “narco-estado”.
Segundo ele, o cenário está relacionado à atuação de organizações criminosas e às dificuldades de fiscalização em áreas estratégicas.
Theophilo afirmou que já fazia alertas sobre o tema desde 2018, quando disputou o Governo do Ceará. Na avaliação dele, o Ceará passou a integrar uma rota utilizada para entrada e distribuição de drogas provenientes de países produtores de cocaína da América do Sul.
O general citou a chamada Rota dos Solimões, que, segundo ele, seria utilizada para transportar drogas vindas da Colômbia e do Peru.
Conforme relatou, os carregamentos seguiriam até Belém, no Pará, e depois seriam transportados em pequenas aeronaves para pistas clandestinas localizadas na região do Parque Ernani Viana, no Ceará.
Ainda segundo Theophilo, as cargas seriam encaminhadas ao Porto do Pecém, Porto do Mucuripe e Aeroporto Internacional Pinto Martins, escondidas entre produtos como cera de carnaúba e frutas tropicais.
Críticas à fiscalização em portos e aeroportos
Durante a conversa, Theophilo também criticou os mecanismos de fiscalização utilizados em portos e aeroportos.
Segundo ele, equipamentos como scanners de inspeção de cargas enfrentariam problemas de funcionamento ou permaneceriam desligados em determinados momentos, situação que, na avaliação dele, facilitaria o transporte de drogas para outros destinos.
A entrevista abordou ainda segurança pública, narcotráfico e a participação do general no cenário político cearense.
Guilherme Theophilo retorna ao cenário eleitoral
Neste mês, o Partido Novo confirmou Guilherme Theophilo como pré-candidato ao Senado pelo Ceará.
O general da reserva volta ao processo eleitoral após disputar o Governo do Estado em 2018. Naquele ano, recebeu 12,59% dos votos válidos e terminou a disputa em segundo lugar.
O então governador Camilo Santana (PT) foi reeleito no primeiro turno, com 75,16% dos votos.
Segundo o Partido Novo, a candidatura de Theophilo representa a continuidade do trabalho desenvolvido pelo senador Eduardo Girão, que não disputará a reeleição e será pré-candidato ao Governo do Ceará.




