A dengue no Ceará voltou a avançar e já supera, antes do fim do ano, os números registrados em 2025. Até o início de agosto, foram contabilizadas 36.393 notificações e mais de 11 mil casos confirmados da doença, enquanto no mesmo período do ano passado eram 25 mil notificações e 4.856 confirmações.
A comparação representa aumento de 91,7% nas notificações e de 172,7% nos casos confirmados. A circulação do vírus já alcança 176 dos 184 municípios cearenses, e 34 cidades estão em situação de alta ou muito alta incidência. As informações foram repassadas para a equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza.
O cenário é classificado pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) como de risco para ocorrência de epidemias. A maior parte dos registros está concentrada no interior, principalmente na Região Norte.
Dengue no Ceará tem alta de 172,7% nos casos confirmados
O crescimento ocorre depois de um período de menor registro da doença no estado. Além da maior quantidade de notificações, o número de confirmações apresentou uma variação ainda mais expressiva na comparação com 2025.
Entre janeiro e o início de agosto deste ano, foram confirmados mais de 11 mil casos. No mesmo período de 2025, eram 4.856.
A Coordenação de Vigilância Epidemiológica do Ceará aponta alterações climáticas e o aumento da circulação viral entre os fatores que contribuíram para o cenário deste ano.
A distribuição dos casos não é uniforme pelo estado. A coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Sesa, Ana Cabral, explica a atuação em diferentes regiões:
“A gente já vem trabalhando com os municípios, principalmente da região de Sobral, a região do Vale do Jaguaribe e alguns municípios do Cariri, um pouco da região de Fortaleza... Mas é uma ocorrência que é heterogênea no nosso estado.”
Circulação do vírus chega a 176 municípios
O avanço da dengue ocorre em diferentes áreas do Ceará. Dos 184 municípios, 176 já apresentam circulação do vírus, enquanto 34 estão classificados com alta ou muito alta incidência.
A concentração dos registros é maior nos municípios do interior, especialmente na Região Norte. Também há registros de atuação das equipes de vigilância em municípios da região de Sobral, do Vale do Jaguaribe, do Cariri e em parte da área de Fortaleza.
A classificação de risco para ocorrência de epidemias reforça a necessidade de manter as medidas de prevenção, especialmente o controle dos locais onde o mosquito Aedes aegypti pode se reproduzir.
Dengue provoca 18 mortes no Ceará em 2026
A doença também apresenta registros de maior gravidade. Neste ano, foram contabilizados 376 casos com sinais de alarme e 19 casos considerados graves.
Até o momento, 18 pessoas morreram em decorrência da dengue. Outras cinco mortes estão sendo investigadas.
Diante dos números, a orientação é observar os primeiros sintomas e procurar atendimento. Ana Cabral explica quais sinais devem receber atenção:
“As pessoas que apresentarem febre, dor de cabeça, dor no corpo, procurar inicialmente o serviço de saúde, a unidade básica de saúde. E, principalmente se apresentarem sinais de alerta, como vômitos persistentes, dor abdominal, esses são sintomas de alerta e que precisam ter uma orientação mais específica de profissional de saúde.”
A identificação dos sinais de alerta é importante especialmente diante da possibilidade de evolução para quadros mais graves.
Jovem que teve dengue reforça cuidados em casa
A experiência de quem já passou pela doença também mostra como os cuidados podem continuar depois da recuperação.
O estudante universitário José Kley teve dengue, enfrentou os sintomas e chegou a ser internado. Depois de se recuperar, passou a redobrar os cuidados para evitar a formação de criadouros do mosquito dentro de casa.
Ele conta como mantém a prevenção na rotina:
“Sempre deixar tampas viradas para baixo, não deixar água parada, garrafa de vidro, até mesmo garrafa PET que a gente tem em casa, que às vezes esquece de botar na reciclagem. Deixa virado para baixo. As águas, quando a gente vai aguar as plantas, também deixa ali para não ficar parado, não criar mosquito, né?”
A eliminação de recipientes que possam acumular água é apresentada como uma das principais formas de impedir a reprodução do Aedes aegypti.
Vacina contra dengue é oferecida pelo SUS
A vacinação também integra a estratégia de proteção contra a doença. No Sistema Único de Saúde (SUS), o imunizante é oferecido a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
Quem está nessa faixa etária deve procurar uma unidade de saúde para verificar a disponibilidade da vacina.
A proteção, no entanto, é acompanhada pelas ações de controle do mosquito. A prevenção envolve também os cuidados adotados dentro das residências e nos espaços onde possa haver acúmulo de água.
Combate ao Aedes aegypti começa dentro de casa
As ações de prevenção foram intensificadas diante do aumento dos casos. O período chuvoso é apontado como um momento em que se espera crescimento das ocorrências, o que leva à ampliação das medidas quando esse avanço apresenta maior impacto.
Ana Cabral explica a estratégia adotada pela vigilância:
“Esse período de início do ano, que compreende o período chuvoso, é um período que a gente espera um aumento no número de casos. Mas, quando esse aumento tem um maior impacto, a gente intensifica as ações de prevenção.”
A eliminação dos criadouros continua sendo uma medida central no combate à transmissão. Dentro de casa, recipientes, garrafas e locais que possam acumular água exigem atenção para evitar que se transformem em pontos de reprodução do mosquito.
Com o vírus circulando em 176 municípios e 34 cidades em situação de alta ou muito alta incidência, a prevenção permanece como uma das principais medidas para conter o avanço da doença.




