A Avenida Aguanambi e outras 11 vias de Fortaleza devem receber intervenções para a implantação de uma rede subterrânea de distribuição de energia elétrica. A medida foi declarada de utilidade pública pela Prefeitura de Fortaleza por meio do Decreto nº 16.708, de 4 de setembro de 2026, publicado no Diário Oficial do Município na terça-feira (8).
A intervenção está vinculada ao projeto de reurbanização da Avenida Aguanambi e prevê a substituição da infraestrutura aérea atualmente existente por uma estrutura subterrânea. Segundo a justificativa apresentada pelo município, a mudança busca modernizar a rede, melhorar aspectos relacionados à segurança e à infraestrutura e reduzir a interferência dos equipamentos no paisagismo urbano.
Embora o decreto relacione a Aguanambi e outras 11 vias, os documentos cartográficos que integram o projeto apontam que a intervenção está concentrada principalmente nos pontos onde essas ruas cruzam a avenida. Isso significa que a previsão não representa, necessariamente, a substituição da fiação aérea em toda a extensão das 11 ruas.
Quais ruas estão incluídas no projeto
Além da Avenida Aguanambi, a relação apresentada no decreto inclui 11 vias que fazem conexão com o corredor. São elas:
- Rua José Euclides;
- Rua Guilherme Moreira;
- Rua Milton Espíndola Pinheiro;
- Rua Dr. José Victor;
- Rua Carlos Ribeiro;
- Rua Arthur Temóteo;
- Rua Dr. João de Deus;
- Rua Padre Matos Serra;
- Rua Coronel Solon;
- Rua Carlos Gomes;
- Rua Mestre Rosa.
A implantação da infraestrutura subterrânea deve ser observada a partir dos mapas que acompanham o projeto. Neles, os trechos indicados para a intervenção estão relacionados aos cruzamentos das vias com a Avenida Aguanambi. Por isso, a inclusão das ruas na documentação não significa que toda a rede elétrica aérea existente em cada uma delas será retirada.
Projeto faz parte da reurbanização da Aguanambi
A instalação da rede subterrânea está associada ao projeto de reurbanização da Avenida Aguanambi. Na justificativa do decreto, a Prefeitura considera a intervenção elétrica parte integrante da transformação prevista para o corredor.
O município afirma que a infraestrutura aérea existente na avenida é considerada obsoleta. O documento cita a presença de cabos nus e postes e aponta impactos relacionados à confiabilidade, à segurança do sistema e à paisagem urbana.
A proposta é retirar essa estrutura dos trechos contemplados e instalar a rede de distribuição de energia abaixo do nível do solo. A Prefeitura também sustenta que a implantação da infraestrutura em outro local não atenderia aos objetivos sociais, técnicos e urbanísticos definidos para a intervenção de reurbanização. Dessa forma, a mudança da fiação está relacionada tanto à modernização da rede elétrica quanto às alterações previstas para a área da Avenida Aguanambi.
Aguanambi está em área de preservação ambiental
Outro aspecto considerado na elaboração do projeto é a localização da Avenida Aguanambi em uma área classificada pelo município como Zona de Preservação Ambiental 1 (ZPA-1). A classificação corresponde à Faixa de Preservação Permanente dos Recursos Hídricos. Conforme a legislação urbanística municipal, a ZPA-1 está relacionada à preservação dos ecossistemas e dos recursos naturais.
Por esse motivo, as intervenções previstas para a região precisam observar as regras ambientais e urbanísticas aplicáveis à área. A característica ambiental do local é considerada na implantação da nova infraestrutura e integra as condições relacionadas ao projeto de reurbanização da avenida.
Fortaleza tem programa para substituir fiação aérea até 2034
A intervenção prevista na Aguanambi também está relacionada a uma estratégia mais ampla do município para a substituição gradual de redes aéreas por estruturas subterrâneas em Fortaleza. A Prefeitura criou o Programa Municipal de Transição da Fiação Aérea para Subterrânea (PMTFAS), que estabelece um planejamento para a substituição progressiva de redes aéreas de energia elétrica, telecomunicações e transmissão de dados.
O cronograma prevê a conclusão do programa até 2 de agosto de 2034. A execução foi organizada em três períodos. A primeira etapa, entre 2026 e 2028, prioriza áreas centrais, históricas, turísticas e consideradas estratégicas pelo município.
Entre 2029 e 2032, a previsão é avançar para eixos estruturantes e bairros de média densidade. A terceira fase, entre 2032 e 2034, contempla áreas periféricas e regiões com menor densidade. A escolha dos locais leva em consideração fatores como a existência de infraestrutura subterrânea, registros de falhas ou furtos de cabos e a presença de projetos de mobilidade, drenagem ou requalificação urbana. Também são considerados locais relevantes para as atividades econômica e turística e áreas relacionadas à preservação do patrimônio.
O que muda com a fiação subterrânea na Aguanambi
Nos trechos contemplados pelo projeto, a estrutura aérea de distribuição de energia deverá ser substituída por uma rede subterrânea. De acordo com a justificativa do decreto, a mudança pretende melhorar as condições técnicas e de segurança da rede e diminuir a interferência de postes e cabos na paisagem urbana.
A instalação também deverá considerar as características ambientais e urbanísticas da região, especialmente pela classificação de parte da área como ZPA-1. A intervenção na Avenida Aguanambi, portanto, está inserida em duas frentes do planejamento municipal: o projeto de reurbanização do corredor e o programa de longo prazo para a substituição gradual da fiação aérea por redes subterrâneas em Fortaleza.
Quando a obra será realizada?
O decreto de utilidade pública publicado pela Prefeitura estabelece a área relacionada à intervenção, mas as informações fornecidas não indicam uma data específica para o início ou para a conclusão das obras de implantação da rede subterrânea.
Também não foi informado, no material disponibilizado, o valor total da intervenção ou um cronograma detalhado para a execução dos serviços. Esses pontos ainda dependem das próximas etapas do projeto e dos atos administrativos relacionados à execução da obra.




