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Quase um ano após ter nome e gênero retificado, adolescente trans recebe carteira de estudante com nome errado

Defensoria Pública do Estado do Ceará pediu esclarecimentos à escola e à Etufor

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Quase um ano após ter nome e gênero retificado, adolescente trans recebe carteira de estudante com nome errado
Foto: GCMais

Uma adolescente trans recebeu na última terça-feira (11) a carteira estudantil com "nome morto" na sua instituição de ensino em Fortaleza. O caso foi divulgado nas redes sociais pela mãe de Lara, que teve o nome retificado por meio da Defensoria Pública no Ceará há cerca de um ano.

"Vamos ter que conviver com esse fantasma empurrado sempre pela nossa goela abaixo? Hoje ela me ligou da escola nova, arrasada porque a Etufor mandou a carteira de estudante nova com um nome que NEM EXISTE MAIS. Lara não é nem mais o nome social dela - e mesmo que fosse! - é o único e LEGAL nome dela." compartilhou a jornalista Mara Beatriz.

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A certidão de nascimento foi retificada em dezembro do ano passado e a família agiu imediatamente para alterar todos os documentos. Lara foi chamada pela escola para receber a carteira de estudante e foi surpreendida com o nome que não existe mais.

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A defensora pública Mariana Lobo, supervisora do NDHAC, entrou em contato para fazer os encaminhamentos cabíveis. “Já recebi toda a documentação e vamos oficiar a escola e a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) para identificar como surgiu esse erro. Se foi a escola quem mandou os dados errados ou se foi a Etufor durante o procedimento de renovação da carteira de estudante. O fato é que isso não poderia ter acontecido em hipótese alguma. Cabe ação de reparação moral pelo constrangimento e isso deve ser feito, porque é uma luta pela não discriminação e pelo direito absoluto e incondicional da identidade de gênero”, explicou Mariana Lobo.

A defensora pública lembra que o caso de retificação de Lara realizado pelo Núcleo foi um referencial para diversas famílias. “Ela abriu portas para quem não sabia por onde começar e isso foi muito importante porque outros adolescentes tiveram a Lara como referencial e encontraram na Defensoria esse porto seguro”, comentou Mariana.

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Mara Beatriz recorda que a retificação evitou pequenos-grandes embaraços na vida já oprimida de qualquer pessoa LGBTQIAP+. Na matrícula da escola, na ida ao médico, na realização de um exame, no check-in da viagem com os pais, tudo passou a ser mais natural, menos doloroso, até acontecer essa nova situação. “As pessoas olhavam torto, cochichavam, ficavam se cutucando quando ela era chamada pelo nome do documento e precisava ficar dando explicação, provar que ela era ela. Até acontecer essa situação novamente. Qual o problema dessa gente, dos órgãos públicos, da sociedade? O objetivo é massacrar as pessoas trans? Vivemos tempos de tanta informação e as pessoas continuam escolhendo ser ignorantes”, complementou a mãe da jovem.

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Em nota, a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) informou que entrou em contato com a família da Lara na tarde de terça-feira (11) para providenciar a correção do documento. Uma nova carteira de estudante já está sendo confeccionada com o nome legítimo da aluna e deve ficar pronta ainda esta semana.

Ainda conforme a Etufor, o erro na identidade estudantil ocorreu durante o processo de confecção pela gráfica prestadora de serviço, que não observou o nome correto a ser usado no documento. A empresa responsável pela confecção de carteira estudantil em Fortaleza informou que irá notificar os fornecedores para aperfeiçoar processos e impedir que a falha se repita.

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Saiba mais

Desde março de 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconhece a identidade de gênero como direito humano e algo que pode ser obtido apenas por meio de uma autodeclaração, não sendo mais necessário apresentar tratamento hormonal, laudos médicos ou comprovantes de cirurgias. Basta ir diretamente ao cartório de registro para realizar essa modificação. Quem não pode custear as taxas que são cobradas, deve buscar a Defensoria Pública para atestar a hipossuficiência. Nos casos de crianças e adolescentes, é preciso judicializar a ação.

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Saiba como ser atendido

Os casos de retificação de nome e gênero são acompanhados pelo Núcleo de Direitos Humanos e Ações Coletivas e Ações Coletivas da Defensoria. Endereço: Av. Senador Virgílio Távora, 2184, Dionísio Torres, Fortaleza – CE Telefone(s): Ligue 129 / (85) 3194-5049

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