O atacante Bruno Henrique, do Flamengo, foi denunciado pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDF) sob acusação de estelionato e fraude esportiva. A denúncia, apresentada nesta quarta-feira (12), é um desdobramento das investigações que apontam a suposta participação do jogador em um esquema de manipulação de apostas online durante o Campeonato Brasileiro de 2023.
Além de Bruno Henrique, outras oito pessoas foram denunciadas, incluindo familiares do atleta, como seu irmão Wander Pinto Júnior e primos. Segundo o MPDF, o jogador teria forçado um cartão amarelo em uma partida contra o Santos, no dia 1º de novembro de 2023, informando previamente seus parentes para que eles realizassem apostas com altas chances de retorno financeiro.
De acordo com o Ministério Público, o cartão foi recebido aos 50 minutos do segundo tempo, fato que teria sido utilizado como base para as apostas vitoriosas. O irmão de Bruno Henrique, por exemplo, apostou R$ 380,86 e recebeu R$ 1.180,67. A esposa dele, cunhada do atleta, teria feito duas apostas em plataformas distintas, investindo R$ 380,86 e R$ 500,00, com retorno de R$ 1.180,67 e R$ 1.425,00, respectivamente. Uma prima do jogador também teria lucrado com a mesma dinâmica.
A pena prevista para fraude esportiva, conforme o artigo 200 da Lei Geral do Esporte, varia de dois a seis anos de prisão. Já o crime de estelionato pode levar à reclusão de um a cinco anos. Para o Ministério Público, o caso configura associação criminosa, agravada pela posição de destaque e influência de Bruno Henrique no cenário esportivo nacional.
“Não há como deixar de enfatizar que o denunciado Bruno Henrique Pinto, de forma livre e consciente, ingressou na esfera do crime, mesmo reunindo todas e as melhores condições para dela se manter afastado e, mais do que isso, mesmo sendo dele esperado que agisse como um difusor de exemplo de combate às fraudes esportivas e aos crimes envolvendo as apostas por meio de sites de apostas”, afirma um trecho da denúncia.
A defesa do jogador já havia solicitado o arquivamento do processo nas últimas semanas. Em petição apresentada à 7ª Vara Criminal, os advogados alegaram que a conduta atribuída ao atleta não corresponde às ações descritas no inquérito.
Agora, a Justiça do Distrito Federal deve decidir se aceita ou não a denúncia. Caso aceite, Bruno Henrique se tornará réu e a ação penal terá início. Ainda não há prazo definido para julgamento.




