PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
DIREITO DO TRABALHADOR

Fim da escala 6x1 foi aprovado? Veja o que muda na PEC da jornada de 40 horas

Relatório apresentado na Câmara prevê redução gradual da jornada semanal, implementação da escala 5x2 e dois dias de descanso sem redução salarial

Compartilhe
Quando será votado o fim da escala 6x1? Veja o que já se sabe sobre a PEC
Reunião da Comissão Especial da Câmara sobre o Fim da Escala 6x1 para discutir e votar o parecer do relator, deputado Leo Prates (REPUBLICANOS-BA). Foto: Lula Marques /Agência Brasil.

A discussão sobre o fim da escala 6x1 voltou ao centro do debate político após a apresentação do relatório da PEC 221/19 na comissão especial da Câmara dos Deputados. Mas afinal, o fim da escala 6x1 foi aprovado?

Apesar do avanço da proposta e da entrega oficial do parecer pelo relator, deputado federal Léo Prates, a medida ainda não foi aprovada pelo Congresso Nacional e continua em tramitação na Câmara. 

Leia também: De Lula a Bolsonaro: como foram decididos os segundos turnos presidenciais no Brasil

A proposta voltou ao centro do debate político porque prevê mudanças profundas na jornada de trabalho no Brasil, incluindo redução gradual da carga horária semanal, adoção da escala 5x2 e garantia de dois dias de descanso sem redução salarial. O texto também estabelece um período de transição para que empresas e trabalhadores possam se adaptar às novas regras.

PUBLICIDADE

O relatório foi apresentado nesta segunda-feira (25) à comissão especial da Câmara responsável por analisar a PEC. Mesmo com a pressão para acelerar a tramitação, a proposta ainda precisará passar por diferentes etapas antes de uma eventual entrada em vigor.

PUBLICIDADE

O fim da escala 6x1 foi aprovado?

Apesar do avanço da discussão no Congresso, a PEC da escala 6x1 ainda não foi aprovada em definitivo.

O texto apresentado por Léo Prates precisa primeiro ser analisado e votado pela comissão especial da Câmara. Depois disso, ainda terá de passar pelo plenário da Casa e seguir para o Senado Federal. Somente após aprovação nas duas Casas do Congresso a proposta poderá ser promulgada.

PUBLICIDADE

Nos bastidores, o presidente da Câmara, Hugo Motta, já declarou que pretende acelerar a análise da PEC, mas parlamentares admitem que o tema envolve negociações delicadas por causa dos impactos econômicos e trabalhistas.

PUBLICIDADE

A proposta mexe diretamente na rotina de milhões de trabalhadores e também nas estruturas operacionais de empresas de diversos setores da economia, especialmente os que funcionam diariamente, como comércio, serviços e indústria.

O que prevê o relatório da PEC da escala 6x1

O parecer apresentado pelo relator prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas sem corte salarial. O texto determina que a Constituição Federal passe a prever limite máximo de oito horas diárias e 40 horas semanais de trabalho, mantendo a possibilidade de compensação por meio de convenções e acordos coletivos. 

PUBLICIDADE

Outro ponto central da proposta é a implementação da escala 5x2, garantindo ao menos dois dias de descanso semanal remunerado. Segundo o relatório, um desses dias deverá ocorrer preferencialmente aos domingos.

PUBLICIDADE

Léo Prates afirma que a proposta busca modernizar as relações trabalhistas no Brasil e aproximar o país de modelos internacionais que já reduziram a carga horária semanal nos últimos anos.

O texto também reconhece que a mudança representa uma intervenção importante no mercado de trabalho e, justamente por isso, prevê uma implementação gradual.

PUBLICIDADE

Como funcionaria a redução da jornada de trabalho

Pelo modelo apresentado na Câmara, a mudança ocorreria em duas etapas principais.

Atualmente, a regra predominante da CLT prevê jornada de 44 horas semanais, geralmente distribuídas em oito horas diárias durante cinco dias e mais quatro horas no sexto dia, dentro da chamada escala 6x1.

Caso a PEC seja aprovada, a primeira etapa começaria 60 dias após a promulgação da emenda constitucional. Nesse momento, a jornada semanal cairia de 44 para 42 horas, já com adoção da escala de cinco dias de trabalho e dois dias de descanso. 

PUBLICIDADE

Depois disso, haveria um novo período de transição. Passados 14 meses da entrada em vigor inicial, a jornada seria reduzida definitivamente para 40 horas semanais, mantendo limite máximo de oito horas por dia.

Durante essa fase de adaptação, o relatório permite ajustes negociados entre empresas e trabalhadores para redistribuição das horas semanais por meio de convenções coletivas.

Segundo o relator, a implementação progressiva busca evitar impactos bruscos sobre empresas e empregos.

PUBLICIDADE

“Com a implementação progressiva, estamos permitindo que empresas e setores planejem investimentos em tecnologia e na reorganização operacional, em vez de recorrerem imediatamente a eventuais cortes de empregos ou repasse de custos a consumidores”, afirmou Prates no relatório. 

O que muda para empresas e trabalhadores

O debate sobre o fim da escala 6x1 divide opiniões entre representantes dos trabalhadores e entidades empresariais.

Sindicatos defendem que a redução da jornada pode melhorar qualidade de vida, diminuir desgaste físico e mental e ampliar o tempo de descanso e convivência familiar.

PUBLICIDADE

Já setores empresariais demonstram preocupação com aumento de custos operacionais, necessidade de contratação de funcionários e reorganização das escalas de trabalho.

O relatório tenta equilibrar esses interesses ao prever uma transição gradual e ao permitir negociações coletivas para adaptação das jornadas.

Além disso, o texto estabelece que futuras leis poderão criar regras específicas para categorias com regimes diferenciados, como trabalhadores em turnos ininterruptos de revezamento. 

PUBLICIDADE

PEC também trata da pejotização

Outro ponto importante do relatório envolve profissionais classificados como “hipersuficientes”, categoria que inclui trabalhadores com diploma de nível superior e remuneração acima de duas vezes e meia o teto do INSS. 

Nesses casos, a redução automática da jornada diária não seria obrigatória. A mudança dependeria de acordo coletivo ou decisão do empregador.

Segundo Léo Prates, a medida busca enfrentar o avanço da chamada “pejotização”, fenômeno em que trabalhadores passam a atuar como pessoa jurídica em vez de empregados formais.

PUBLICIDADE

O relator argumenta que muitos profissionais migram para esse modelo em busca de maior flexibilidade nas relações de trabalho.

Contratos públicos terão adaptação gradual

A proposta também prevê regras específicas para contratos ligados à administração pública.

Nos contratos firmados com órgãos públicos, a redução da jornada dependerá de aditivos contratuais para manutenção do equilíbrio econômico-financeiro. O prazo máximo previsto para adequação é de 12 meses após eventual promulgação da emenda constitucional. 

PUBLICIDADE

A medida vale para contratos de concessão, parcerias público-privadas e demais instrumentos de colaboração entre poder público e iniciativa privada.

Quando a nova jornada poderia entrar em vigor

Caso a PEC seja aprovada sem mudanças profundas no Congresso, a primeira etapa da nova jornada começaria 60 dias após a promulgação da emenda constitucional.

Já a implementação definitiva da jornada de 40 horas semanais ocorreria em até 14 meses.

PUBLICIDADE

Apesar do avanço do relatório na Câmara, o texto ainda enfrenta resistência política e econômica, o que significa que a proposta pode sofrer alterações antes de uma eventual aprovação definitiva.

O tema deve continuar no centro do debate nacional nas próximas semanas por envolver diretamente rotina de trabalho, produtividade, custos das empresas e qualidade de vida de milhões de brasileiros.


Leia também
De Lula a Bolsonaro: como foram decididos os segundos turnos presidenciais no Brasil
RETROSPECTIVA
De Lula a Bolsonaro: como foram decididos os segundos turnos presidenciais no Brasil
24 de out. de 2026 - 17:35
Moraes determina bloqueio de R$ 6 bilhões do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro
DECISÃO
Moraes determina bloqueio de R$ 6 bilhões do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro
23 de out. de 2026 - 22:27
Eduardo Bolsonaro diz que eleições podem ser fraudadas e pede que Flávio deixe o Brasil se perder
NOS EUA
Eduardo Bolsonaro diz que eleições podem ser fraudadas e pede que Flávio deixe o Brasil se perder
23 de out. de 2026 - 19:55