A Justiça de São Paulo revogou a prisão preventiva do empresário Alex Leandro Bispo dos Santos, de 40 anos, acusado de matar a cearense Maria Katiane Gomes da Silva, de 25, ao jogá-la do 10º andar de um prédio na capital paulista. A decisão foi tomada em 6 de agosto, pelo juiz da 5ª Vara do Tribunal do Júri, na Barra Funda, e permitiu que o réu passasse a responder ao processo em liberdade.
A soltura, porém, não ocorreu sem restrições. O empresário deverá cumprir medidas cautelares determinadas pela Justiça enquanto o processo continua em andamento.
Entre as condições impostas estão a proibição de permanecer fora da cidade por mais de oito dias, a obrigação de informar eventual mudança de endereço e o comparecimento bimestral em juízo. Alex também deverá manter o telefone atualizado e não poderá se aproximar das testemunhas do caso.
A decisão é o principal fato novo no caso neste momento. Alex estava preso desde dezembro de 2025, quando foi detido após a investigação sobre a morte de Katiane avançar com a análise de imagens de segurança do condomínio onde os dois moravam.
O Tribunal de Justiça de São Paulo informou, em nota, que não comenta questões jurisdicionais. O órgão afirmou ainda que os magistrados possuem independência funcional para decidir conforme os documentos do processo e seu convencimento. Segundo o tribunal, eventuais discordâncias devem ser apresentadas por meio dos recursos previstos na legislação.
Cearense morreu após cair do 10º andar em São Paulo
Maria Katiane Gomes da Silva morreu na madrugada de 29 de novembro de 2025, depois de cair do 10º andar do edifício onde vivia com Alex, em São Paulo.
A morte inicialmente foi tratada de outra maneira pelas pessoas próximas à vítima. A versão apresentada naquele momento indicava que Katiane teria caído depois de uma discussão.
O cenário mudou com o avanço da investigação policial e a análise das câmeras de segurança do condomínio.
As gravações mostraram uma sequência de agressões envolvendo o casal antes da queda. De acordo com as informações divulgadas sobre o caso, Alex aparece agredindo Katiane na área do estacionamento e, posteriormente, dentro do elevador. As imagens foram utilizadas pela investigação para sustentar a suspeita de feminicídio.
A polícia também identificou que, depois do momento em que Katiane deixou de aparecer nas imagens junto ao companheiro, Alex retornou sozinho ao elevador. O comportamento registrado nas câmeras passou a ser analisado em conjunto com os demais elementos reunidos durante a investigação.
Alex foi preso em dezembro de 2025 e posteriormente passou a responder judicialmente pela acusação de feminicídio. A revogação da prisão preventiva, portanto, não encerra o processo e não significa absolvição.
Na prática, a mudança permite que ele aguarde o andamento da ação penal fora da prisão, desde que cumpra as determinações estabelecidas pelo Judiciário.
Antes da prisão, Alex foi ao velório de Katiane em Crateús
Um dos episódios que mais chamou atenção no início do caso aconteceu no Ceará.
Katiane era natural de Crateús, no interior do Ceará. Depois da morte em São Paulo, o corpo foi levado para o município, onde ocorreu o velório e o sepultamento no distrito de Realejo, em 1º de dezembro de 2025.
Alex acompanhou a despedida e esteve ao lado dos familiares da vítima. Imagens divulgadas na época mostram o empresário chorando e abraçado ao caixão de Katiane.
O episódio ganhou repercussão porque ocorreu poucos dias antes da prisão dele. Naquele momento, familiares ainda conviviam com a versão inicial sobre a morte da jovem. A prisão só aconteceu depois que a polícia teve acesso às imagens de segurança que indicavam agressões anteriores à queda.
A informação sobre a presença do empresário no velório, portanto, não é um fato novo de agosto de 2026. Ela já havia sido divulgada na época da prisão. O que recoloca o caso no noticiário agora é a decisão que permitiu que Alex deixe a prisão e responda ao processo em liberdade.
A diferença é importante para a compreensão da notícia: o velório ajuda a contextualizar a história e a relação entre o acusado e a vítima, enquanto a revogação da prisão preventiva é a atualização judicial que motiva a publicação.
Caso envolve suspeitas além da morte de Katiane
A situação judicial de Alex Bispo não se limita ao processo relacionado à morte da cearense.
O empresário também é apontado pelo Ministério Público de São Paulo como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a acusação, ele seria conhecido pelo apelido de “Escorpião do PCC”.
Além disso, o nome de Alex aparece relacionado a empresas que também passaram a ser alvo de investigações.
Uma empresa ligada ao empresário tem relação com o Instituto Conhecer Brasil, associado à produção do filme Dark Horse, obra sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
As investigações sobre esse núcleo empresarial envolvem suspeitas de irregularidades em contratos milionários relacionados à Prefeitura de São Paulo. A polícia apura a possibilidade de utilização de uma empresa como fachada para fraudes e desvios de recursos.
Essas suspeitas, no entanto, constituem uma frente distinta do processo que trata da morte de Katiane e devem ser apresentadas como investigações e acusações, sem antecipar conclusões que ainda dependam da Justiça.
No caso do feminicídio, a decisão mais recente é objetiva: Alex deixou a prisão, mas continua submetido ao processo e às medidas cautelares estabelecidas pelo juiz.
O que muda com a soltura de Alex Bispo
A revogação da prisão preventiva altera a situação do acusado, mas não modifica, por si só, a acusação existente contra ele.
Alex continuará respondendo ao processo fora da prisão, com obrigações específicas. Entre elas está a necessidade de comparecer regularmente à Justiça e a restrição de contato com testemunhas.
A proibição de se aproximar dessas pessoas também busca evitar interferências sobre quem deverá prestar informações no processo.
Outro ponto determinado pelo juiz é a limitação de deslocamento. Alex não pode se ausentar da cidade por mais de oito dias, além de precisar comunicar mudanças de endereço e manter seus dados telefônicos atualizados.
A decisão coloca novamente o caso de Maria Katiane no centro das atenções quase nove meses depois da morte da jovem.
Para a família da cearense, a história envolve uma sequência marcada pela mudança da versão inicial sobre a queda, pela descoberta das imagens de segurança, pela prisão do companheiro e, agora, pela possibilidade de ele acompanhar o processo em liberdade.
Katiane havia deixado Crateús para viver em São Paulo. Antes da mudança, trabalhou em um supermercado e em um restaurante no município cearense. Depois, passou a atuar como influenciadora.
Ela também deixou uma filha, de um relacionamento anterior, que morava com os avós.
A decisão judicial de agosto não encerra a apuração sobre a morte. O processo continua, e a acusação contra Alex ainda será submetida às etapas previstas pela Justiça. Até uma eventual condenação definitiva, ele deve ser tratado juridicamente como acusado ou réu.




