O consumo diário de bebidas alcoólicas pode estar associado a um aumento do risco de morte por diferentes tipos de câncer, segundo um estudo realizado nos Estados Unidos. Os resultados indicam que a relação não estaria restrita a pessoas que consomem grandes quantidades de álcool e apontam que cerca de uma dose por dia já pode estar relacionada a um aumento do risco.
A avaliação foi destacada por Jani, chefe dos residentes clínicos em hematologia e oncologia do Sylvester Comprehensive Cancer Center, da Universidade de Miami. A análise chama atenção para a frequência do consumo de bebidas alcoólicas e seus possíveis efeitos sobre o organismo.
Nos Estados Unidos, uma dose padrão corresponde a 355 mililitros de cerveja comum, 148 mililitros de vinho ou 44 mililitros de uma bebida destilada com 40% de teor alcoólico.
A relação entre consumo de álcool e câncer envolve diferentes processos biológicos. Entre eles estão a metabolização do etanol, alterações no material genético, mudanças hormonais, inflamação e estresse oxidativo.
Como o álcool pode favorecer o desenvolvimento do câncer
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos (NCI), o consumo de bebidas alcoólicas pode contribuir para o desenvolvimento de câncer por diferentes mecanismos. Um deles ocorre durante a metabolização do etanol pelo organismo. O álcool é transformado em acetaldeído, uma substância tóxica que pode provocar danos ao DNA antes de ser neutralizada.
O DNA contém as informações genéticas responsáveis pelo funcionamento das células. Danos nesse material podem contribuir para alterações celulares relacionadas ao desenvolvimento de tumores. O consumo frequente de álcool também pode provocar alterações hormonais. Entre os hormônios que podem ser afetados está o estrogênio, cuja alteração está relacionada ao risco de câncer de mama. Além disso, o álcool pode estar relacionado a processos de inflamação e estresse oxidativo, que podem afetar as células do organismo.
Álcool também pode afetar boca e garganta
Outro mecanismo relacionado ao consumo de bebidas alcoólicas envolve os tecidos da boca e da garganta. O álcool pode deixar essas regiões mais vulneráveis à ação de outros agentes potencialmente cancerígenos. A combinação com o tabagismo merece atenção porque álcool e cigarro podem atuar conjuntamente sobre os tecidos expostos.
Essa interação aumenta a exposição das células a fatores associados ao desenvolvimento de alterações cancerígenas. O consumo de álcool também pode interferir na absorção e utilização de nutrientes importantes para o organismo. Entre eles estão as vitaminas A, C, D e E e os folatos. Esses nutrientes participam de diferentes funções do corpo e estão relacionados à manutenção de processos importantes para o funcionamento adequado do organismo.
Uma dose diária já pode estar relacionada ao aumento do risco
Um dos pontos destacados pelo estudo é que a associação entre álcool e câncer não estaria limitada aos níveis mais elevados de consumo. A indicação de que cerca de uma dose diária pode estar relacionada a um aumento do risco reforça a importância de observar não apenas a quantidade consumida em uma ocasião, mas também a frequência com que a bebida é ingerida.
A definição de dose padrão utilizada nos Estados Unidos também é importante para a interpretação dos dados. As quantidades variam de acordo com a bebida porque cerveja, vinho e destilados possuem diferentes concentrações de álcool. Por isso, comparar apenas o volume em mililitros pode levar a uma interpretação equivocada sobre a quantidade de álcool efetivamente consumida.
Relação entre álcool e câncer envolve diferentes mecanismos
Os possíveis efeitos do álcool sobre o risco de câncer não dependem de um único processo no organismo. A metabolização do etanol e a formação de acetaldeído, por exemplo, estão entre os mecanismos estudados.
Também são considerados alterações hormonais, inflamação, estresse oxidativo e mudanças relacionadas à absorção de nutrientes. Os resultados reforçam a existência de uma associação entre o consumo de álcool e diferentes tipos de câncer, mas uma associação estatística não significa que todo caso de câncer em uma pessoa que consome álcool tenha sido causado pela bebida.
A avaliação do risco depende de diferentes fatores, incluindo padrão e frequência de consumo e características individuais. Por isso, os resultados devem ser interpretados dentro do contexto científico do estudo e das evidências acumuladas sobre os efeitos do álcool na saúde.




