O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender, neste sábado (12), a retirada do sigilo dos autos relacionados ao Caso Master. Durante um comício em Curitiba, no Paraná, o presidente afirmou que a divulgação integral das informações poderá revelar relações do banqueiro Daniel Vorcaro com políticos e declarou que “quem fez putaria vai ser desmascarado”.
Lula também criticou a forma como informações da investigação vêm sendo divulgadas e questionou o que classificou como “vazamento seletivo”. A crítica foi direcionada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.
Na avaliação do presidente, a divulgação completa do processo permitiria que a sociedade tivesse acesso ao conjunto das informações, sem que apenas determinados trechos fossem tornados públicos. Durante o discurso, Lula fez referências a supostas relações de Vorcaro com pessoas do meio político e afirmou que novas informações poderiam aparecer com a abertura dos autos.
“Por isso vamos investigar e pode ficar certo que agora vai começar a aparecer as orgias que ele fazia. As mulheres da Suíça, da Suécia, pra fazer sacanagem com muita gente da política. E vai começar a aparecer. Portanto, quem fez putaria vai ser desmascarado neste país”, declarou.
Presidente cita relações entre Vorcaro e políticos
Ao abordar o Caso Master, Lula afirmou que a divulgação dos documentos poderia esclarecer quais pessoas mantiveram relações com Daniel Vorcaro e quais condutas estão sob investigação. O presidente também mencionou integrantes ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e afirmou que a abertura dos autos poderia alcançar pessoas do grupo político adversário.
“Pedi pra liberar todo o processo, vamos deixar nu e deixar às claras pra ver quem é ladrão e corrupto nesse país. A família Bolsonaro não escapa, por isso eu estou feliz de que o povo vai saber a verdade”, declarou.
A fala foi feita durante o mesmo discurso em Curitiba, no momento em que Lula defendia a retirada do sigilo do processo. As declarações do presidente não estabelecem, por si só, responsabilidade criminal de qualquer pessoa citada. Eventuais crimes ou irregularidades precisam ser comprovados pelas investigações e analisados pelas autoridades competentes.
A menção à família Bolsonaro também deve ser entendida como uma afirmação política de Lula durante o discurso, e não como confirmação de que integrantes da família sejam investigados ou tenham cometido crimes no âmbito do caso, informação que precisaria estar formalmente registrada nos autos.
Lula critica atuação do Judiciário
O presidente também aproveitou o discurso para falar sobre o comportamento de integrantes do Judiciário e defendeu que ministros das cortes superiores tenham um padrão de conduta compatível com a função. A manifestação ocorreu no contexto da repercussão das informações relacionadas à investigação envolvendo Daniel Vorcaro e das decisões tomadas no STF.
Lula afirmou que ministros da Suprema Corte exercem uma função que, em sua avaliação, exige dedicação e comportamento acima da média.
“Ninguém pode ser ministro da Suprema Corte para ficar rico. Aquilo é um sacerdócio. A pessoa tem que se dedicar porque é a Corte Suprema e se tomar uma decisão, ninguém pode mudar então as pessoas têm que ter um padrão de comportamento acima da média da sociedade”, disse Lula em Curitiba.
A fala amplia o alcance político do discurso, que não ficou restrito ao Caso Master. O presidente relacionou a discussão sobre o sigilo dos autos a uma avaliação mais ampla sobre a atuação do Judiciário.
Presidente relaciona banco ao governo Bolsonaro
Durante o comício, Lula também relacionou a expansão do banco ao período em que Jair Bolsonaro ocupava a Presidência da República. O petista afirmou que o banco teria sido criado e ampliado durante a gestão anterior e disse que, já durante seu governo, houve uma ação contra a instituição.
“Em 2019 pegaram um agiota e o transformaram em banqueiro. Agora tem esse Vorcaro que corrompeu muita gente. Eles criaram esse banqueiro e nos prendemos. Eles criaram um banco e nos fechamos”, disse.
A afirmação foi apresentada por Lula como parte da sua argumentação sobre a trajetória do banco e a investigação envolvendo Daniel Vorcaro. O presidente voltou a defender a divulgação integral dos documentos e criticou a existência de informações divulgadas de forma parcial.
Caso Master entra no debate político nacional
O Caso Master ganhou espaço no debate político nacional à medida que informações relacionadas a Daniel Vorcaro e às suas relações com autoridades e políticos passaram a ser discutidas publicamente.
Em Curitiba, Lula utilizou o episódio para defender a transparência da investigação e criticar o sigilo dos autos. O presidente também aproveitou o tema para questionar a atuação de integrantes do STF e fazer referências ao grupo político ligado a Jair Bolsonaro.
A defesa da retirada integral do sigilo foi um dos principais pontos do discurso. Segundo Lula, a divulgação completa permitiria que a sociedade tivesse acesso ao conjunto do processo, em vez de conhecer apenas informações selecionadas. A partir dessa posição, o presidente afirmou que a abertura dos documentos poderia revelar relações políticas e eventuais responsabilidades relacionadas ao caso.
É necessário, porém, separar as declarações políticas de Lula das conclusões da investigação. As acusações e referências feitas pelo presidente durante o discurso não equivalem, por si só, a comprovação de crimes ou irregularidades.
Próximos desdobramentos
A discussão sobre o Caso Master deve continuar envolvendo a investigação, o acesso aos documentos e as decisões do Supremo Tribunal Federal sobre o sigilo dos autos. O episódio também ganhou dimensão política após Lula defender a divulgação integral das informações e mencionar possíveis relações de Daniel Vorcaro com integrantes do meio político.
As declarações feitas neste sábado colocam novamente o sigilo da investigação no centro do debate e ampliam a discussão para a relação entre o caso, o governo Lula, aliados de Jair Bolsonaro e a atuação do STF.




