O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, determinou neste sábado (12) que a Polícia Federal (PF) informe, no prazo de 24 horas, onde está e em que condições se encontra o material original extraído do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A decisão ocorre antes do julgamento previsto para terça-feira (15), em meio a pedidos de ministros da Corte pelo acesso integral aos dados.
Fachin determinou que a Polícia Federal esclareça especificamente a custódia do material e o estado em que ele se encontra. Neste despacho, porém, o presidente do STF não determinou o compartilhamento dos arquivos com os demais ministros.
A medida foi tomada depois de Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes solicitarem acesso à cópia integral da mídia extraída do aparelho de Vorcaro. Como alternativa, os ministros pediram que o material fosse requisitado diretamente à Polícia Federal.
Os pedidos estão relacionados à Petição 16.704 e envolvem os dados obtidos a partir do iPhone 17 Pro de Vorcaro, apreendido pela PF.
Fachin cobra esclarecimentos sobre a custódia
A decisão de Fachin considera informações apresentadas anteriormente pelo ministro André Mendonça, relator do caso. Mendonça informou que não mantém sob sua posse o aparelho original nem os dados originais extraídos do celular.
Segundo o ministro, a Polícia Federal continua com o material original, que permanece sob a cadeia de custódia da corporação. Mendonça também explicou que recebeu da PF apenas uma cópia de segurança dos dados, armazenada em um disco rígido criptografado e entregue em envelope lacrado ao gabinete.
O relator afirmou que essa cópia permanece inacessível e que ele próprio nunca a manuseou. “Tal material permanece lacrado no Gabinete e, portanto, encontra-se inacessível a este relator, que nunca o manuseou”, afirmou Mendonça.
De acordo com a explicação apresentada por ele, a cópia funciona como uma contraprova e seria utilizada somente caso houvesse perda ou extravio do material original.
A informação sobre a existência dessa cópia e sobre a permanência dos arquivos originais sob custódia da PF passou a fazer parte do impasse entre os ministros.
Ministros pedem acesso integral aos dados
Cristiano Zanin havia solicitado a Fachin acesso à íntegra do espelhamento do celular de Vorcaro. O argumento apresentado foi de que todos os integrantes do colegiado deveriam ter a mesma possibilidade de examinar os dados antes da análise do caso pelo STF.
Em manifestação posterior, Zanin contestou a justificativa de que a cópia de segurança estivesse lacrada. Para o ministro, essa condição não impediria o compartilhamento do conteúdo com os demais julgadores.
Alexandre de Moraes também reforçou o pedido. Em um dos documentos enviados ao presidente do STF, afirmou que não cabe ao relator definir quais documentos podem ser acessados pelo colegiado durante o julgamento.
“Não cabe ao ministro relator escolher quais os documentos acessíveis ao Colegiado para realizar seu julgamento”, declarou Moraes.
Gilmar Mendes igualmente pediu acesso à íntegra da mídia extraída do celular. O ministro argumentou que uma diferença no acesso às informações poderia afetar a paridade entre os integrantes da Corte e a própria colegialidade.
No novo despacho, Fachin registrou os três pedidos: o Ofício 14/2026, apresentado por Zanin; o Ofício 10/2026, de Moraes; e o Ofício 05/2026, de Gilmar Mendes. Todos solicitam a cópia integral da mídia ou, de forma alternativa, que o material seja requisitado à Polícia Federal.
Entenda o impasse sobre o celular de Vorcaro
A discussão envolve a diferença entre o material original extraído do celular de Daniel Vorcaro e a cópia de segurança mantida no gabinete de André Mendonça.
Segundo Mendonça, o original está sob custódia da Polícia Federal, enquanto a cópia enviada ao gabinete em março de 2026 permanece lacrada em um disco rígido criptografado. O relator afirmou que não acessou o conteúdo.
Os ministros que pediram acesso defendem que o colegiado deve ter a possibilidade de examinar integralmente os dados antes do julgamento. A discussão ganhou importância porque as informações extraídas do aparelho fazem parte do contexto de um relatório da PF que aponta possível ligação com Alexandre de Moraes.
Com os pedidos de Zanin, Moraes e Gilmar Mendes, Fachin decidiu primeiro solicitar esclarecimentos à Polícia Federal. A corporação terá 24 horas para informar a situação do material, incluindo onde ele está custodiado e qual é o estado em que se encontra.
A determinação, portanto, não resolve neste momento se os demais ministros terão acesso à cópia ou aos dados originais. O próximo passo será a resposta da Polícia Federal ao presidente do STF.




