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REPRESENTATIVIDADE

Mulheres são maioria do eleitorado, mas ainda têm baixa representação na política

Mulheres representam mais da metade do eleitorado brasileiro, mas ainda ocupam menos cadeiras nos legislativos. No Ceará, mais de 35% das candidaturas deferidas para 2026 são femininas

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Mulheres são maioria do eleitorado, mas ainda têm baixa representação na política
Na Câmara dos Deputados, são apenas 88 deputadas em um total de 513 parlamentares. Foto: Reprodução / TV Cãmara

Mais da metade do eleitorado brasileiro é formada por mulheres, mas a presença feminina ainda é menor nos principais espaços de poder. No Ceará, embora mais de 35% das candidaturas deferidas para as eleições de 2026 sejam femininas, a representação nos legislativos permanece distante de uma participação proporcional.

A diferença aparece entre a quantidade de mulheres que disputam eleições e o número das que conseguem conquistar uma cadeira. Na Assembleia Legislativa do Ceará, por exemplo, são sete mulheres entre 46 deputados. Na Câmara Municipal de Fortaleza, são 10 vereadoras em 43 cadeiras.

Leia também: Quem não votou pode decidir o resultado? O peso das abstenções nas eleições presidenciais no Brasil

A baixa presença também se repete no Congresso Nacional. Entre os 81 senadores, 15 são mulheres. Na Câmara dos Deputados, são 88 deputadas em um total de 513 parlamentares.

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Mulheres que abriram caminho na política do Ceará

A participação feminina na política cearense tem uma trajetória de mais de sete décadas. Ao longo desse período, algumas mulheres ocuparam espaços que até então eram majoritariamente masculinos e ajudaram a ampliar a presença feminina na vida pública.

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Em 1950, Maria Eulália Odorico de Morais foi eleita para a Câmara Municipal de Fortaleza e esteve entre as primeiras mulheres a ocupar uma cadeira no Legislativo da capital.

Em 1974, Maria Zélia Mota chegou à Assembleia Legislativa do Ceará. Onze anos depois, em 1985, Maria Luíza Fontenele fez história ao ser eleita prefeita de Fortaleza. Ela foi a primeira mulher eleita pelo voto direto para comandar uma capital brasileira.

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Em 2002, Patrícia Saboya também entrou para a história ao se tornar a primeira mulher do Ceará a ocupar uma cadeira no Senado.

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Desde então, outras mulheres passaram a ocupar cargos eletivos, enquanto a legislação eleitoral foi modificada com o objetivo de ampliar a participação feminina nas disputas.

Lei estabelece percentual mínimo de candidaturas femininas

Atualmente, partidos e federações precisam apresentar, nas eleições, pelo menos 30% de candidaturas de mulheres. Além da exigência relacionada à composição das chapas, parte dos recursos públicos e do tempo de propaganda deve ser destinada às candidatas.

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Para a advogada especialista em direito eleitoral Isabel Mota, as medidas contribuíram para ampliar os mecanismos de participação feminina na política. Ela falou com a equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza sobre o assunto:

"O Brasil avançou muito nos mecanismos de incremento da participação da mulher na política. Seja na política formal, fomentando as candidaturas, seja mostrando, inspirando pessoas que tinham até vontade de ingressar na política, mas tinham receio pelos entraves e pela própria disputa de poder."

No Ceará, mais de 35% das candidaturas deferidas para as eleições de 2026 são de mulheres. O percentual supera o mínimo estabelecido pela legislação.

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O número, porém, não se traduz automaticamente em maior presença feminina nos cargos eletivos. O desafio passa pela criação de condições para que as candidatas tenham participação efetiva na disputa e possam chegar aos espaços de poder.

Candidaturas femininas e estrutura partidária

A existência da cota não encerra a discussão sobre a participação das mulheres. Segundo Isabel Mota, ainda há situações em que candidaturas femininas são apresentadas apenas para atender à exigência legal, sem que exista uma estrutura efetiva para que essas mulheres tenham condições de disputar a eleição.

Isabel Mota explica:

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"Apesar de toda essa determinação, de todos esses instrumentos legais para garantir a participação da mulher nas chapas, os partidos ainda continuam colocando mulheres apenas para cumprir essa cota. Essas mulheres muitas vezes não são candidaturas reais, são as candidaturas fictícias, aquelas que não têm o objetivo de se eleger e sim garantir os homens que já estão ali naquele espaço."

A diferença entre participar formalmente da disputa e ter condições de competir também pode começar antes do período eleitoral. Dentro das legendas, mulheres podem integrar chapas, mas nem sempre contam com o mesmo investimento, visibilidade ou espaço destinado aos homens.

Para a especialista, a mudança depende também da preparação de quadros femininos ao longo do tempo, e não apenas durante as campanhas.

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"Esses avanços concretos, fazer com que os partidos políticos invistam realmente, não só no período de campanha, mas no período antes da campanha, formar bons quadros, para que a mulher deixe de ser só um número para possibilitar a candidatura de homens e passe a ser realmente uma candidata com possibilidade de disputa."

Representatividade ainda é menor nos espaços de poder

A cientista política Mariana Dionísio destaca a diferença entre a participação feminina na população eleitoral e a presença das mulheres nos cargos políticos:

"São 53% de público feminino, porém 15% de representatividade. Então, ao longo do tempo, muito embora tenha havido mudanças, elas foram mudanças muito tímidas. Não dá pra falar que foi uma grande mudança, sobretudo porque essas mulheres ainda não estão ocupando cargos de poder dentro dos diretórios."
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Os números dos legislativos estaduais e municipais e do Congresso mostram essa distância. Mesmo com a presença feminina nas disputas eleitorais, a quantidade de mulheres que efetivamente alcança os cargos permanece menor.

A questão, portanto, não envolve apenas ampliar o número de candidatas. Também passa pela capacidade de essas candidaturas receberem condições para competir e pela presença das mulheres dentro das estruturas partidárias, onde são definidas estratégias e espaços de poder.

Participação feminina pode mudar prioridades políticas

A presença de mulheres em cargos de representação também pode produzir efeitos sobre os temas debatidos na política. A participação feminina, segundo Mariana Dionísio, amplia a visibilidade para novas ideias e pode influenciar as prioridades legislativas e partidárias.

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"A visibilidade que é consolidada pela presença feminina atrai novas ideias, inclusive em termos legislativos. As pautas são outras, as prioridades partidárias passam a ser outras e, inclusive, há estudos da ciência política que identificam que mulheres em cargos de representação política tendem a evocar mais pautas sociais e menos pautas de segurança pública ou pautas mais austeras."


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